Nestlé troca carne e peixe por vegetais

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Valor Econômico 
Jornalista: Judith Evans, do Financial Times

14/02/20 - A Nestlé vai lançar uma “salada de atum” à base de plantas neste ano, dentro da ofensiva da maior processadora de alimentos do mundo para expandir-se na área de produtos sem carne, depois de não ter atingido a meta de crescimento orgânico.



O executivo-chefe da Nestlé, Mark Schneider, disse ontem que substitutos à base de plantas para carnes e peixes devem dar nova vida à divisão de pratos prontos da companhia, que inclui marcas como as massas Maggi e os sanduíches Hot Pockets.

“O sucesso dos alimentos à base de plantas vai ser uma daquelas oportunidades que surgem uma só vez a cada geração para que regeneremos [...] nossos negócios de alimentos prontos e complementos culinários, de 12 bilhões de francos suíços (US$ 12,2 bilhões)”, disse. A empresa em breve também vai oferecer linguiças sem carne, além dos itens que já comercializa, como hambúrgueres, queijos e bacon à base de plantas, acrescentou o executivo.

Schneider deu as declarações juntamente com o anúncio dos resultados anuais da empresa, que não atingiu algumas metas. O crescimento na China e o desempenho da unidade de água engarrafada ficaram aquém dos esperados, de forma que a empresa levará mais um ou dois anos para atingir as metas de crescimento orgânico. “Estamos muito comprometidos com essa meta, mas vamos precisar de um ano ou mais para chegar lá”, disse Schneider.

A fabricante do Nescafé e do chocolate KitKat ressaltou que terá uma aceleração “em 2021/2022 rumo a um crescimento sustentável de um dígito [porcentual] médio”, uma meta anteriormente traçada para este ano.


O crescimento da receita orgânica foi de 3,5%. As expectativas dos analistas eram de 3,6%. A empresa superou o desempenho de 2018 em 50 pontos-base e seu crescimento foi o maior em quatro anos. O dado é observado de perto pelos investidores, já que exclui a influência de variações cambiais, vendas de ativos e aquisições.

Alternativas à base de plantas para a carne representam apenas uma pequena parte dos negócios da Nestlé, mas a empresa destacou ontem que esses produtos tiveram crescimento orgânico nas vendas superior a 10%, chegando a uma receita próxima a 200 milhões de francos, graças a marcas como a Garden Gourmet Schneider prevê uma rápida expansão para o setor.

“Você pode repensar tantos produtos de um modo baseado nas plantas,
substituindo produtos animais com alguns desses ingredientes, que têm um bom sabor e são nutritivos [...] e alcançar um público mais jovem, instruído e afluente, que está entre os primeiros a se converter”, diz Schneider.

A produção de frutos do mar à base de plantas está bem atrasada em comparação à de carne - impulsionada por startups como Beyond Meat e Impossible Foods -, mas em 2019 cerca de 20 empresas nos Estados Unidos já trabalhavam nessa tecnologia.

Schneider, primeiro chefe da Nestlé recrutado fora da empresa em quase um
século, vendeu uma série de operações e reduziu custos, o que lhe permitiu atingir as metas de margem de lucro um ano antes do previsto.

Da mesma forma que outras multinacionais do setor, contudo, o grupo suíço vem suando para conseguir acompanhar a mudança nos gostos e nos hábitos de compra dos consumidores na era da internet.

Schneider indicou que pode promover mais aquisições, depois de ter vendido
unidades como a de produtos para a pele da Nestlé, por 10,2 bilhões de francos. As vendas de unidades foram bem recebidas pelos investidores e as ações da Nestlé subiram 30% em 2019.

A Nestlé planeja aumentar os dividendos em 0,25 centavos de franco, para 2,70 francos. Vai ser o 25 º ano seguido de aumento nos dividendos. Também pretende recomprar ações no valor de 20 bilhões de francos e já deu início a essas compras em janeiro.

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