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Com 85% do país vacinado, Portugal inicia vida pós-Covid

Portugal inicia vida pós-Covid depois de vacinar 85% da população

Folha de S.Paulo 
Jornalista: Giuliana Miranda

Com mais de 85% da população completamente vacinada, Portugal praticamente não tem mais pessoas elegíveis para imunizar. Vários grandes centros de vacinação estão sendo desmontados e a força-tarefa responsável pelo planejamento da campanha encerrou os trabalhos na última semana de setembro.

A alta cobertura vacinal —Portugal é a nação com maior percentual de habitantes com o esquema de imunização completo— permitiu a reabertura de todos os setores de atividade, ainda que a variante delta continue a avançar.

A cepa é responsável por praticamente 100% dos novos casos de Covid-19 em todas as regiões do país, mas os principais indicadores da pandemia, como número de infecções, mortes, hospitalizações e taxa de transmissão, têm apresentado tendência de queda.

O resultado da imunização em Portugal é particularmente notável em comparação com outros países ricos, a exemplo da França e dos Estados Unidos, onde, embora haja doses disponíveis para toda a população há meses, a cobertura vacinal apresente crescimento estagnado.

Com aproximadamente 10,1 milhões de habitantes, Portugal também está bem à frente na comparação com nações de população similar na Europa —caso da Grécia, que tem cerca de 60% dos residentes com a imunização completa.

Na última semana, publicações internacionais como os jornais americanos The New York Times e The Washington Post dedicaram longas reportagens à situação portuguesa.

“Houve aqui um esforço de coesão nacional que conduziu muito a esses resultados. O aspecto mais importante foi, sem dúvida nenhuma, a adesão dos portugueses à vacinação, a tradição de confiança nas autoridades de saúde e num plano de vacinação que é voluntário e que sempre teve como base a melhor evidência científica”, avaliou a ministra da Saúde, Marta Temido, em um balanço da situação.

Coordenador da força-tarefa de vacinação, o vice-almirante Henrique Gouveia e Melo ganhou status de herói nacional: um raro exemplo de consenso entre a opinião pública, políticos de esquerda e de direita e representantes das classes médicas. Diante do sucesso, já há quem sugira uma eventual candidatura em eleições futuras.


Submarinista com experiência em logística, Gouveia e Melo assumiu a coordenação da força-tarefa em fevereiro, quando a campanha de imunização, iniciada no fim de dezembro, enfrentava um cenário de morosidade e denúncias de favorecimento.

A estratégia foi apostar em grandes hubs de vacinação, com agendamento prévio. Embora o ritmo da campanha tenha sido comprometido por atrasos pontuais na entrega de doses contratadas, o país conseguiu antecipar várias vezes o cronograma.

A vacinação de imigrantes, motivo de queixas frequentes até agosto, também foi desburocratizada. As autoridades acabaram com o principal gargalo no acesso aos imunizantes: a exigência de apresentação do número de inscrição no Serviço Nacional de Saúde para fazer o agendamento. Agora, basta mostrar um documento de identificação válido.

Em sua última apresentação à frente da força-tarefa, Gouveia e Melo destacou que o país tem mais de 2 milhões de vacinas em estoque, o que garantirá uma situação confortável em caso da necessidade de aplicação de uma terceira dose.

À imprensa na saída do evento ele agradeceu o empenho dos portugueses e dos profissionais de saúde e disse querer voltar ao anonimato. "Julgo que temos de estar todos contentes por termos, em conjunto, feito uma coisa que vai ficar na história. Agora vou me despedir e vou voltar ao anonimato das minhas funções militares, que é como deve de ser."

Embora o próprio Gouveia e Melo tenha sido alvo de protestos de integrantes do movimento antivacinas, a expressão dos grupos contrários à imunização é pequena no país. A estimativa oficial é de que menos de 3% dos portugueses tenham se recusado a receber as doses contra a Covid.

O cenário atual de sucesso contrasta com o descontrole generalizado da pandemia em janeiro, quando o número de infecções e mortes disparou, levando o Sistema Nacional de Saúde (o SUS de Portugal) à beira do colapso.

Após ser apontado como um bom exemplo de gestão da Covid-19 nos primeiros meses de 2020, Portugal viu a situação sair de controle depois de o governo afrouxar restrições que limitavam a circulação e as aglomerações no período de festas de fim de ano.


Para lidar com a situação, Portugal implementou um restritivo lockdown, que vigorou por quase três meses.

REABERTURA TEM O 'DIA DA LIBERDADE'

Na última sexta-feira (1º), o país viveu o que foi apelidado de “dia da liberdade”. Fechados desde o começo da pandemia, em março de 2020, bares e discotecas finalmente puderam reabrir, embora com a entrada condicionada à apresentação do certificado de vacinação completa ou a um teste laboratorial negativo para o coronavírus.

A obrigatoriedade de máscaras acabou em várias situações (mas foi mantida para o transporte público, grandes lojas e em locais com aglomerações em espaços fechados). Também deixaram de existir limitações de horário de funcionamento e de lotação para estabelecimentos comerciais e eventos.

O fim das restrições movimentou o fim de semana no país. Na capital portuguesa, o movimento nas ruas e nas casas noturnas era similar ao anterior à pandemia.

A participação de turistas brasileiros na vida noturna, no entanto, enfrenta algumas dificuldades. Como Portugal e Brasil ainda não concluíram o acordo bilateral de validação de vacinas, o certificado emitido pelo SUS não é aceito no país.

Com isso, a entrada nas discotecas fica condicionada à apresentação de um teste negativo para a Covid: um exame de PCR feito nas últimas 72 horas ou teste de antígeno realizado até 48 horas antes da apresentação.

Embora já tenha o esquema vacinal completo no Brasil, a engenheira paulistana Gabriela Sacco, 34, foi uma das que precisaram apresentar o teste negativo na entrada de uma discoteca lisboeta no último sábado.

“Vim de férias visitar minha prima que vive em Lisboa. É chato e caro ter de fazer o teste, mas faz parte. Eu já sabia que seria assim. Honestamente, me sinto mais segura para sair sabendo que existe esse cuidado. Em São Paulo, ainda não tive coragem de ir para uma balada neste ano”, relata.

Apesar do clima de otimismo pela reabertura, as autoridades têm sido cautelosas com o desenvolvimento da situação epidemiológica. A manutenção das regras sanitárias (e da quantidade de restrições) ainda é condicionada a avaliações periódicas.

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