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O desengajamento dos trabalhadores é um fenômeno que vem preocupando líderes empresariais e economistas ao redor do mundo. Um estudo recente da Gallup, uma renomada consultoria especializada em análise comportamental no trabalho, revelou que trabalhadores desengajados podem custar até US$ 8,9 trilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) global. Este valor impressionante representa cerca de 9% do PIB mundial, evidenciando o impacto significativo que o bem-estar e o engajamento dos funcionários têm sobre a economia.
A pesquisa, intitulada "State Of The Global Workplace", analisou o bem-estar e a produtividade de 128 mil funcionários em mais de 140 países. Os resultados mostraram que, apesar de a produtividade e a saúde mental dos trabalhadores estarem em níveis historicamente altos, há sinais de estagnação na produtividade e declínio na saúde mental. Jon Clifton, CEO da Gallup, destacou a importância deste paradoxo, onde a saúde mental humana está em declínio em um período de grande progresso e prosperidade. Informou o portal Você S/A.
O engajamento dos funcionários reflete o envolvimento e o entusiasmo dos funcionários em seu trabalho e local de trabalho. A Gallup descobriu que equipes de negócios engajadas geram resultados positivos dentro das organizações. A Gallup estima que o baixo engajamento custa à economia global US$ 8,9 trilhões, ou 9% do PIB global. Vejamos alguns números:
- 23% ocupados
- 62% Não engajado
- 15% Ativamente desengajado
Um dos dados mais alarmantes do estudo é que 20% dos trabalhadores relatam sentir-se sozinhos durante o expediente, com números ainda maiores entre os jovens com menos de 35 anos e aqueles que trabalham remotamente. O isolamento social e a solidão crônica são conhecidos por terem efeitos devastadores na saúde mental, podendo levar a outros problemas graves.
Lisa Berkman, cientista sênior da Gallup e professora de Harvard, contribuiu com um estudo que demonstrou que pessoas com menos laços sociais têm quase o dobro do risco de mortalidade em comparação com indivíduos mais sociáveis. Essas diferenças são observadas independentemente de outros fatores como saúde física, classe socioeconômica ou cuidados com o bem-estar.
Apesar da queda no bem-estar dos trabalhadores mais jovens em 2023, o nível geral manteve-se relativamente estável, passando de 35% para 34%. Isso sugere que, embora haja desafios significativos a serem enfrentados, ainda há uma base de bem-estar que pode ser fortalecida com as estratégias corretas.
Manter o engajamento e o bem-estar dos funcionários é mais do que uma questão de ser um bom empregador; é essencial para a saúde financeira das empresas e da economia global. Investir em políticas que promovam a saúde mental, o engajamento e a conexão social entre os trabalhadores não é apenas uma questão ética, mas também uma decisão econômica inteligente. As organizações que reconhecem e agem sobre essa realidade estarão melhor posicionadas para prosperar em um mercado cada vez mais competitivo e interconectado.
O índice da consultoria faz a medida a partir de respostas que combinam uma análise de diferentes aspectos da vida, combinando presente, futuro e autorreflexão.
Há uma diferença na percepção de bem-estar entre as gerações.
Outro estudo, o Relatório Mundial de Felicidade, conduzido pelo Centro de Pesquisa do Bem-Estar da Universidade de Oxford, mostrou que pessoas nascidas antes de 1965 avaliam a vida cerca de um quarto de ponto melhor do que aquelas nascidas depois de 1985.
Pode parecer um dado lateral, mas faz todo sentido levá-lo em conta dentro do ambiente de trabalho. Pessoas mais velhas costumam ocupar cargos mais altos de liderança, pode haver dissonância entre as visões de vida e carreira a longo prazo entre gestores e geridos. Para a Gallup, esse deve ser um ponto de atenção nas companhias.
Há quem pense que iniciativas em empresas a favor da manutenção da saúde mental dos colaboradores é um benefício. A consultoria defende que esse tipo de medida deve ser visto como parte essencial das contas da empresa. Ter funcionários insatisfeitos e improdutivos prejudica o balanço. Pessoas melhor satisfeitas com a vida pessoal e profissional tendem a ser funcionários melhores, e ajudam a fechar a conta.
Nem todos os problemas na saúde mental são oriundos do trabalho, mas o estudo mostra que funcionários que não gostam do emprego tendem a ter níveis altos de estresse e preocupações, além de níveis elevados de todas as outras emoções negativas.
“Você pode achar que o trabalho e a vida pessoal são coisas separadas, mas eu discordo. Elas são uma só, concorrendo ao mesmo tempo”, disse Mishina, diretor de Conteúdo no Japão, um dos entrevistados.
A consultoria aconselha que os empregadores trabalhem para melhorar o bem-estar na vida pessoal e no emprego. Eles devem “prover benefícios apropriados e flexibilidade para apoiar o bem-estar do funcionário sem negligenciar seu maior potencial na avaliação de vida dos trabalhadores: construir times produtivos e engajados”, escreve.
Aqui não há novidade, todos sabem que há estresse no ambiente de trabalho e que ele tem alto potencial de ser nocivo às atividades e à pessoa.
Um quarto dos líderes se sentem estafados sempre ou com frequência, e dois terços se sentem assim ao menos de vez em quando. Muitos estão tentando resolver isso, mas frequentemente, de forma ineficiente.
Entre as soluções comuns propostas pelas empresas estão oferecer treinamentos para lidar melhor com o estresse, disponibilizar aplicativos de bem-estar e outras intervenções. “Aplicativos de bem-estar e mindfulness não são inerentemente ruins, mas quando lideranças ruins os usam como um conserto rápido, as coisas pioram. (…) O problema não pode ser resolvido com um tapetinho de yoga; são necessárias atitudes da liderança e a percepção de que a empresa investe em áreas além daquelas que causam estresse”, disse Clifton, o CEO.
A literatura mostra que exemplos tendem a ser mais seguidos do que palavras. Portanto, líderes precisam ser engajados se desejam manter uma equipe motivada. A Gallup entendeu que 70% da variação no engajamento nas equipes pode ser atribuída à liderança.
A motivação pode ser incentivada com programas de metas, feedbacks assertivos e responsabilização. “Boas lideranças ajudam os funcionários a encontrar significado em seu trabalho”, escreveram os pesquisadores responsáveis pelo relatório.
Cultura resiliente
Entre as empresas que foram bem-sucedidas em aumentar o empenho dos funcionários, a Gallup destacou as seguintes práticas como recorrentes:
- Alta-prioridade na contratação e desenvolvimento de lideranças;
- O engajamento é uma prioridade em todas as etapas do desenvolvimento na empresa, desde a contratação até o estabelecimento de metas;
- Ênfase no bem-estar dentro e fora dos escritórios.
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