"O Brasil se tornou um grande laboratório de iniciativas, inovação e aprendizados para a Bayer no mundo" Adib Jacob, Presidente da Bayer Farma. (Crédito: Diego Bruni)
Puxada pelo Brasil, divisão farmacêutica da gigante alemã cresce mais de 15% em 2021, amplia investimentos em novos medicamentos e transforma o país em um hub de inovação e pesquisas.
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Nos últimos dois anos, a subsidiária brasileira da Bayer Farma trabalhou como nunca. Literalmente, como nunca. Em vez de pesquisar, desenvolver, produzir e vender medicamentos — como faz há 130 anos no mundo e há 125 anos no Brasil —, a empresa atacou de concierge da saúde. Fez parceria com a Uber, se uniu a startups de telemedicina, assinou acordos com grandes grupos de hospitais e laboratórios. Pagou deslocamento, agendou consultas presenciais e remotas, levou médicos até a casa de pacientes. Fortaleceu convênios de estudo com mais de 50 universidades e centros de pesquisa em todo o País. Atuou quase como um médico da família. Tudo porque, durante o isolamento social e diante do caos imposto aos sistemas público e privado de saúde na pandemia, milhões de brasileiros deixaram para depois os tradicionais check-ups de rotina. Com hospitais lotados, as consultas e os exames teoricamente menos urgentes, como em cardiologia, ginecologia, oftalmo e tratamento de câncer, foram postergados. As UTIs lotadas, vacinas a conta-gotas e a proliferação da desinformação mais do que justificavam esse comportamento defensivo dos pacientes.
Sejam no consultório, nos balcões das farmácias, nos laboratórios ou nos hospitais, os diagnósticos tardios criaram desafios para a Bayer e todo setor de saúde, segundo o presidente da companhia na América Latina, Adib Jacob. O executivo comandou uma contraofensiva de guerra para garantir que doenças não diretamente relacionadas à Covid-19 continuassem a ser tratadas. Diabetes, hipertensão, saúde da mulher, entre outras frentes de prevenção, se tornaram prioridade para a Bayer. A estratégia, além de evitar uma pandemia de outros problemas aos pacientes, ajudou a preservar a saúde financeira da própria empresa.
Puxada por vendas de cerca de R$ 2 bilhões no Brasil em 2021, uma alta de “dois dígitos” (a empresa não divulga o crescimento porcentual exato por país), a América Latina foi a região que mais cresceu dentro da companhia em todo o mundo. O faturamento de 922 milhões de euros na região representou uma alta de 15,2% sobre o ano anterior. O desempenho financeiro do Brasil só não foi melhor porque a desvalorização de quase 40% do real frente ao dólar entre 2020 e 2021 prejudicou a última linha do balanço. Não fosse a questão cambial, as vendas do Brasil teriam se aproximado de 20% de crescimento no ano. Globalmente, o faturamento de 18,3 bilhões de euros ficou 8,9% acima do resultado de 2020.
“O Brasil se tornou um grande laboratório de iniciativas, inovação e aprendizados para a Bayer no mundo”, afirmou Jacob à DINHEIRO, durante a divulgação dos resultados, em Buenos Aires. “Depois de superar os problemas iniciais de combate à pandemia, a grande capacidade de reação do SUS e das empresas privadas de saúde mostrou que o País pode ser um cluster de exportação de exemplos no diagnóstico e no combate a doenças.”
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