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NO BRASIL, O DESPERDÍCIO NA ÁREA FARMACÊUTICA É DE CERCA DE R$13 BILHÕES AO ANO (FOTO: FREESTOCKS.ORG /UNSPLASH)

POR REDAÇÃO GALILEU

Laurelena Palhano, de 40 anos, é responsável pela criação do aplicativo mediList (disponível para Android), que serve para auxiliar na organização do estoque e no consumo de remédios.

Doutora em Engenharia de Produção pelo Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, ela teve a ideia quando, ao precisar medicar a filha com urgência, encontrou uma dezena de medicamentos fora do prazo de validade em casa.

Assim como 95% dos brasileiros, Palhano e o marido mantinham o hábito de fazer compras mensais em farmácias para formar um estoque caseiro, mas acabavam desperdiçando os remédios quando perdiam o prazo de validade.

Ela então pesquisou ferramentas que pudessem auxiliar no controle dos remédios que tinha em casa e, notando a ausência de soluções, desenvolveu o mediList. A tecnologia, indicada para organizar medicações em ambientes domésticos, permite também armazenar prontuários médicos, buscar remédios cadastrados por meio de código de barras e adicionar lembretes para acompanhar tratamentos. 

Confira um vídeo de como funciona o app.

Cenário complexo

No Brasil, falta uma cultura de descarte de medicamentos: nem sempre os remédios vão para o lixo da melhor maneira e muitas pessoas aderem o hábito de criar estoques em casa, deixando os fármacos de lado com o passar do tempo — o que pode resultar em vencimentos e desperdícios.

Segundo o Conselho Federal de Farmácias, o país é o sexto maior consumidor de remédios em todo o mundo. O desperdício na área é de cerca de R$ 13 bilhões ao ano. E o consumo é grande: estima-se que os gastos com medicamentos fiquem entre US$ 38 bilhões e US$ 42 bilhões em 2022 no Brasil.

O ciclo de acúmulo e descarte é vicioso e tem consequências desastrosas para o meio ambiente, principalmente porque as cartelas e frascos também podem estar contaminadas.

Muitos animais selvagens sofrem impactos causados pela contaminação devido ao descarte inadequado de remédios, como os peixes ganhando características femininas pelos hormônios sintéticos usados em pílulas anticoncepcionais; abutres sendo praticamente dizimados por anti-inflamatórios dados ao gado; e rãs hermafroditasencontradas em lagoas urbanas contaminadas pelo esgoto, por exemplo.

O descarte de medicamentos por perda de tempo hábil para consumo gera um grande impacto ambiental, principalmente no caso de antibióticos, que são altamente tóxicos à natureza. Para se ter uma, um estudo realizado em terrenos e águas próximas a fábricas da Índia, onde grande parte dos antibióticos do mundo é produzida, concluiu que nessas áreas há altos níveis de poluentes farmacêuticos. 

“Muitas empresas farmacêuticas europeias têm fábricas em países em desenvolvimento, que permitem que elas prosperem com uso de mão de obra barata e regulações ambientais fracas”, relatou em entrevista ao jornal The Telegraph Adela Maghear, porta-voz de políticas da organização internacional Healthcare Without Harm Europe.

Em 2010, o governo brasileiro instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS): segundo a Lei 12.305/2010, cuidar do problema cabe aos fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes, titulares de serviços de manejo dos resíduos sólidos urbanos e, claro, aos cidadãos.

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