A venda da Medley, unidade brasileira de genéricos da farmacêutica francesa Sanofi, entra em sua fase decisiva, com implicações diretas para o mercado farmacêutico nacional. Candidatas como Aché, Biolab, EMS, Hypera, Sun Pharma e um fundo da Vinci Compass preparam ofertas finais até 13 de março, sob exigências rigorosas da Sanofi, incluindo a manutenção de todos os 850 funcionários por um ano. Informou o NeoFeed.
A Sanofi estendeu o prazo para as propostas definitivas, permitindo que as empresas conclua sua due diligence iniciada em 5 de janeiro. Reuniões presenciais com o management da Medley ocorrem até 10 de fevereiro na sede da Sanofi Brasil, em São Paulo, para esclarecer detalhes operacionais. A francesa planeja um "mini-leilão" confidencial para maximizar o valor, com expectativa de anúncio do vencedor ainda em março.
Documentos do data room revelam que 60% da produção anual de 300 milhões de unidades de medicamentos é feita internamente pela Medley, 20% nas instalações da Sanofi e 20% por terceiros. A unidade faturou R$ 1,3 bilhão em 2025, com EBITDA próximo a R$ 200 milhões, e será vendida como novo CNPJ sem passivos, separada oficialmente em setembro de 2025.
A Sanofi impõe a estabilidade laboral de todo o quadro, incluindo a diretora-geral Lucia Rossato, que assumiu em julho de 2025 para impulsionar a independência da unidade. Rossato e o CFO Álvaro Penteado de Castro assinam pelo novo CNPJ, com Ricardo Barone representando a controladora francesa. O piso da negociação subiu: ofertas iniciais na segunda fase giravam em torno de US$ 450 milhões, mas a Sanofi sinaliza que não aceita menos de US$ 500 milhões devido à alta competitividade.
A Medley, adquirida pela Sanofi em 2009 por R$ 1,5 bilhão da família Negrão, mantém fábrica em Campinas (SP), com sinergias logísticas atraentes para compradores locais como a EMS, cuja planta em Hortolândia fica a menos de 20 km de distância.
Favoritas e Estratégias
O mercado posiciona a EMS, da família Sanchez, como ligeira favorita por sua oferta elevada e proximidade operacional, permitindo integração eficiente de produtos e logística. A Aché surge como forte concorrente, planejando preservar ambas as marcas e ajustar sobreposições no portfólio de genéricos. A Sun Pharma, via Ranbaxy, avalia transferir produção para a Índia para reduzir custos de matéria-prima.
Outras participantes da primeira fase, como Althaia, Cimed, Eurofarma, Torrent e União Química, foram eliminadas, apesar de interesses iniciais — o CEO da Cimed, João Adibe Marques, havia sinalizado empenho em novembro de 2024, mas priorizou investimentos em consumo.
Impactos para Carreiras e Mercado
Para profissionais do setor farmacêutico, especialmente em São Paulo e Campinas, a transação promete estabilidade inicial e oportunidades de crescimento sob novos donos, alinhando-se a tendências de consolidação no Brasil. A DikaJob monitora o caso, destacando como fusões demandam skills em product management, estratégia e compliance regulatório, áreas em alta para 2026.
A expectativa é de que o vencedor acelere inovação em genéricos, mantendo liderança em um mercado bilionário, enquanto profissionais buscam recolocação via plataformas especializadas em carreiras pharma.
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