Biomm projeta salto histórico após saída do Banco Master

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Após se desvincular do escândalo que envolveu o Banco Master, a farmacêutica brasileira Biomm anuncia uma guinada sem precedentes em sua trajetória. A companhia, única fabricante nacional de insulina glargina, prevê um crescimento de 3.000% no Ebitda em apenas 12 meses, consolidando o primeiro resultado positivo de sua história em 2025 e mirando um futuro de expansão acelerada. Informou o Neofeed.

Em fato relevante divulgado em 9 de junho, a empresa apresentou um guidance entre R$ 90 milhões e R$ 100 milhões de Ebitda para 2026. O plano está sustentado pelo ramp-up da fábrica em Nova Lima (MG), inaugurada em 2024, e por contratos estratégicos de parcerias produtivas com Biomanguinhos/Fiocruz e a Funed, além da expansão da marca Glargilin no mercado privado.

No quarto trimestre de 2025, a Biomm registrou Ebitda de R$ 3,3 milhões, revertendo um histórico de prejuízos — resultado que marca uma virada inédita. A receita líquida no primeiro trimestre de 2026 chegou a R$ 92,4 milhões, crescimento de 133,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. O lucro líquido foi de R$ 9,7 milhões, contra um prejuízo de R$ 11,7 milhões em 2025.

 

A nova configuração societária

A saída do Fundo Cartago, ligado ao Banco Master, abriu espaço para a entrada da gestora Alaska, que adquiriu 26,15% da companhia em abril de 2026. A operação envolveu a compra da fatia que estava com o BRB e da Cedro Participações.

A Biomm, fundada em 2001 por Walfrido dos Mares Guia, ex-ministro do Turismo, conta hoje com participação de investidores como BTGP Gestão (12,2%), TMG/IBR (7,25%) e o BNDESPar (5,12%).

No início do ano, a farmacêutica também passou por uma mudança de comando: Guilherme Maradei assumiu como CEO em 1º de janeiro, sucedendo Heraldo Marchezini, que esteve à frente da empresa por mais de uma década.

Além da insulina, a Biomm aposta em novos segmentos. A companhia já firmou contrato com a indiana Biocon para licenciar e distribuir no Brasil um similar ao Ozempic, medicamento voltado para emagrecimento. O produto aguarda aprovação da Anvisa e pode abrir uma frente de negócios altamente lucrativa.

Apesar das perspectivas otimistas, as ações BIOM3 acumulam queda de 25% em 12 meses, com valor de mercado de R$ 917 milhões. O desafio da companhia será transformar o crescimento operacional em valorização consistente para seus acionistas.

A trajetória da Biomm simboliza a capacidade de reinvenção de uma empresa que, após enfrentar turbulências societárias e financeiras, projeta um futuro de expansão e consolidação no mercado farmacêutico nacional. O salto previsto no Ebitda é mais do que um número: representa a confiança renovada de investidores e a aposta em inovação para o tratamento de doenças crônicas como o diabetes.

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