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O setor farmacêutico brasileiro reúne empresas com perfis bastante distintos, mesmo atuando sob o mesmo arcabouço regulatório. Blau e Hypera são exemplos claros desse contraste: enquanto uma aposta em medicamentos de maior complexidade e foco hospitalar, a outra construiu um modelo baseado em escala, marcas consolidadas e ampla distribuição no varejo. Entender essas diferenças é essencial para avaliar riscos, previsibilidade de resultados e a sensibilidade de cada companhia ao cenário macroeconômico.

 

Panorama do setor no Brasil

O Brasil é o maior mercado farmacêutico da América Latina, respondendo por cerca de 42% dos negócios farmacêuticos da região.

Globalmente, o país representa uma fração menor do mercado, mas continua entre os 10 principais mercados do mundo em termos de receita e diversidade de produtos.

O mercado farmacêutico brasileiro segue em expansão estrutural, impulsionado por fatores demográficos e epidemiológicos dentre os quais citamos:

  • O envelhecimento populacional e o aumento de doenças crônicas favorecem a demanda por medicamentos.
  • Estudos de mercado projetam que a indústria farmacêutica nacional deve crescer entre 5,8% ao ano até 2030 ou até mais em cenários de longo prazo (aproximadamente 10% até 2035).

Entretanto, o setor possui desafios dentre os quais podemos destacar:

  • A regulação de preços de medicamentos pode limitar o poder de repasse de custos, especialmente no segmento de genéricos e OTC, impactando margens operacionais.
  • A indústria nacional ainda depende significativamente de importação de insumos farmacêuticos (APIs), o que pode expor produtores a variações cambiais e gargalos na cadeia global.
  • Pressão competitiva crescente devido a entrada de grandes players internacionais e produtos inovadores.

 

Blau Farmacêutica (BLAU3) x Hypera (HYPE3)

A Blau Farmacêutica é uma indústria farmacêutica que possui a liderança no segmento institucional. Detém um portfólio de medicamentos de alta complexidade focando em segmentos relevantes tais como: hematologia, oncologia, nefrologia, especialidades, antibióticos, além de diversas classes terapêuticas. A Empresa está presente em seis países (Brasil, Argentina, Colômbia, EUA, Uruguai e Peru) possuindo 4 unidades de negócios: Biológicos, Oncológicos, Especialidades e Outros.

A empresa atua na fabricação de medicamentos próprios para variadas classes terapêuticas, além de possuir foco nas divisões de biológicos, especialidades e oncológicos. Detém ainda um amplo portfólio de produtos injetáveis, indispensáveis para hospitais, clínicas e HMOs (Health Maintenance Organization).

Os mais de 60 produtos oferecidos pela companhia foram comercializados em mais de 8.400 instituições, sendo aproximadamente 6 mil em hospitais e 1,4 mil em órgãos públicos. Isso revela a força do portfólio da empresa, estando assim na 29ª posição do mercado brasileiro entre as farmacêuticas e na 11ª colocação entre as fornecedoras para o segmento institucional.

Entre os riscos da Blau estão:

  • Exposição a segmentos hospitalares e biotecnologia pode aumentar volatilidade de receita e depender de ciclos regulatórios e compras públicas.
  • A expansão de capacidade e pipeline exige capital e pode enfrentar desafios de execução.

Como forma de responder a estes riscos a companhia vem adotando as seguintes estratégias:

  • Investimentos em capacidades internas (produção de insumos) e diversificação de mercado internacional para mitigar impacto regulatório doméstico.
  • Aumentar a presença em segmentos especializados com barreiras técnicas como forma de manter competitividade frente a ajustes regulatórios.

A Hypera Pharma é considerada a maior empresa farmacêutica brasileira, em termos de receita líquida, e está presente em todos os segmentos relevantes do setor. Com posição de liderança em diversas categorias, atua em quatro verticais de negócios: (i) Produtos de Prescrição, com um portfólio de produtos altamente reconhecidos; (ii) Consumer Health (OTC), sendo líder no mercado de medicamentos isentos de prescrição no Brasil; (iii) Similares e Genéricos, detendo posição de destaque no mercado nacional; e (iv) Skincare, linha destinada a produtos estéticos profissionais e de uso dermatológico.

A Hypera Pharma é a maior empresa farmacêutica do Brasil. O cenário do setor de medicamentos, apesar de ser parcialmente protegido do cenário econômico devido ao grau de essencialidade dos remédios, tem se tornado cada vez mais competitivo. Contudo, a companhia está bem posicionada, com marcas consolidadas e com diversos produtos que têm grande aceitação pelo mercado.

A empresa segue acelerando o ritmo de lançamentos e investimentos. Entre os lançamentos estão o Descon, nova marca para tratamento dos sintomas comuns de gripe, resfriados, rinite e sinusite, o Addera Max Cal, que mescla vitamina D com alta concentração de cálcio, e o Rinosoro XT Spray com xilitol.

Já dentre os riscos da companhia estão:

  • Pressões de preço e mix de produtos no varejo podem afetar margens no longo prazo, especialmente com cenário econômico desafiador no Brasil.
  • Alta dependência do mercado doméstico e potencial erosão de crescimento com envelhecimento da população e mudanças de hábitos de consumo.

Para responder a estes riscos a empresa tem investido em inovações e diversificação do portfólio, incluindo planos de lançamento de genéricos de semaglutida, além de forte presença de marketing para manter competitividade.

 

Qual das duas é melhor para investir?

É percebível que os atuais múltiplos da Blau Farmacêutica (BLAU3) são negociados com razoável desconto em relação aos da Hypera Pharma (HYPE3). Entre os fatores que podem explicar isso estão:

  • A Blau é bem menor em receita e market cap (capitalização de mercado) do que a Hypera
  • A Hypera possui um portfólio mais consolidado, baseado em produtos de grande volume no varejo, o que dá mais previsibilidade de lucro e fluxo de caixa para os próximos anos em contraste com a Blau que por possuir maior exposição a segmentos hospitalares e contratos institucionais acaba que tende a gerar uma maior instabilidade em seus resultados fazendo assim com que investidores exigem prêmio maior para investir em suas ações.
  • Enquanto a Hypera já pode ter atingindo uma certa maturidade no seu mercado de atuação em que a expansão tende a depender mais de aquisições de outras empresas do setor, a Blau ainda segue em fase de crescimento através dos investimentos em aumento de capacidade o que faz o risco de execução desta ser maior que o da primeira.

Logo, a escolha do investimento em alguma das duas (Blau ou Hypera) depende do perfil de risco do investidor em que para aqueles que possuem um perfil mais conservador, a Hypera (HYPE3) parece ser a mais viável, já que seus resultados tendem a ser mais previsíveis. Por outro lado, para aqueles que possuem um perfil mais arrojado e consequentemente buscam retorno potencial maior ao longo dos próximos anos, acreditando assim na execução da estratégia de crescimento via pipeline e novos produtos, a Blau (BLAU3) oferece uma maior janela de oportunidade, desde que esteja disposto a enfrentar maior volatilidade e risco de execução.

 
Fonte: Investing
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