12398031064?profile=RESIZE_584x

Bayer: empresa tem dívida líquida de 34,5 bilhões de euros — Foto: Divulgação

 

 

Dívidas, litígio, burocracia e perda de exclusividade em medicamentos impedem empresa de separar negócios

 

by Por André Ítalo Roch | Pipeline Valor

 

Com um alto nível de endividamento e ainda sofrendo os efeitos da desastrosa aquisição da Monsanto, a gigante alemã Bayer tem sido cobrada por investidores para se dividir em três negócios (farmacêutico, saúde do consumidor e agronegócio), em uma tentativa de simplificar a operação e facilitar a venda de alguma das divisões. A companhia admite que está "gravemente ferida" e que esse caminho faz sentido, mas se vê de mãos atadas – e pede paciência.

"Mexer na estrutura tornou-se norma no nosso setor. Esta é certamente a abordagem mais simples e penso que todos podemos compreender o seu apelo", disse o CEO da companhia, Bill Anderson, nesta terça-feira, após a divulgação dos resultados de 2023. "Mas no curto prazo, a nossa resposta é 'agora não', o que não deve ser interpretado como nunca."

Segundo o executivo, a empresa está "gravemente ferida" em quatro pontos que impedem a adoção de uma solução estrutural como essa: uma esperada perda de exclusividade em alguns medicamentos, litígios, níveis de endividamento e burocracia hierárquica. "Esses quatro desafios limitam enormemente a nossa capacidade de escolher o nosso destino: seja como uma empresa de três divisões ou em partes menores", afirma.

Segundo ele, ainda que haja um IPO de um dos negócios ou uma rodada de investimentos, isso exigiria um esforço conjunto por 18 a 24 meses, e os benefícios em dinheiro só viriam depois desse prazo. Além disso, os índices de alavancagem da empresa que sobraria, ou da nova companhia, aumentariam significativamente, o que dificultaria o acesso a financiamento, ele alertou.

Caso a empresa busque vender um dos negócios, o mais atrativo seria o de saúde do consumidor, que tem um bom histórico e ajudaria a Bayer a pagar parte das duas dívidas. "Mas uma separação implicaria custos significativos e questões fiscais. Também temos algumas indicações bastante claras, por comparações, de que os valuations não são tão fortes neste momento. E teríamos que dizer adeus a um negócio que gera caixa constante todos os anos."

Além disso, ele ressaltou, nenhuma dessas opções resolve os problemas de litígio ou a perda de exclusividades no setor farmacêutico. Um dos maiores litígios que a Bayer enfrenta envolve um legado da compra da americana Monsanto, concluída em junho 2018 por US$ 63 bilhões. Dois meses depois, a adquirida foi condenada pela Justiça dos EUA a pagar US$ 289 milhões em multas, após um herbicida fabricado pela Monsanto ter sido associado ao câncer.

Enviar-me um e-mail quando as pessoas deixarem os seus comentários –

DikaJob de

Para adicionar comentários, você deve ser membro de DikaJob.

Join DikaJob

Faça seu post no DikaJob