A Novo Nordisk vive um momento de tensão no mercado brasileiro. Após perder a liderança para o Mounjaro, da americana Eli Lilly, a companhia buscou alternativas para recuperar espaço com as canetas Ozempic e Wegovy — mas acabou enfrentando forte resistência das redes de farmácias. Infomrou o NeoFeed.
O primeiro movimento foi incorporar a semaglutida ao Sistema Único de Saúde (SUS), que foi indeferido em 2025. O segundo, mais polêmico, foi a tentativa de vender diretamente suas canetas por meio da plataforma NovoCare Farmácia, sem passar pelas farmácias tradicionais. A reação foi imediata: a Abrafarma, entidade que reúne as principais varejistas do país, acusou a empresa de descumprir normas da Anvisa e comprometer a segurança dos pacientes. Diante da pressão, a Novo Nordisk recuou apenas seis dias após o anúncio.
Os números mostram a dimensão da disputa. Entre maio de 2025 e maio de 2026, o mercado de medicamentos da classe GLP-1 movimentou R$ 13,3 bilhões. O Mounjaro respondeu por 64% das vendas, alcançando R$ 8,5 bilhões, enquanto o Wegovy somou R$ 3,7 bilhões e o Ozempic apenas R$ 1,1 bilhão. Em volume, a diferença é ainda mais expressiva: o Mounjaro saltou de 208 mil para 4,5 milhões de caixas em apenas um ano de acordo com levantamento da Close-Up.
Redes como Raia Drogasil, Pague Menos e Panvel já registram que os medicamentos GLP-1 respondem por até 12% do faturamento, tornando-se uma das categorias mais relevantes para o crescimento do setor. Para o setor varejista, a tentativa da Novo Nordisk de vender diretamente ao consumidor representava ameaça às receitas.
Além da polêmica comercial, a empresa aposta novamente no SUS. Em maio de 2026, reapresentou pedido à Conitec para incorporar o Wegovy ao sistema público, desta vez oferecendo desconto de 59% sobre o preço anterior e focando em pacientes com obesidade que já sofreram infarto. Projetos-piloto em parceria com o município do Rio de Janeiro e o Hospital Conceição, em Porto Alegre, buscam reforçar os argumentos clínicos e econômicos.
Especialistas avaliam que a estratégia da Novo Nordisk chega em um momento delicado, já que novos concorrentes, como Poviztra (Eurofarma) e Ozivy (EMS), ampliam a oferta de alternativas mais acessíveis. Ainda assim, a empresa insiste em se manter relevante em um mercado que deve atingir R$ 19 bilhões até o fim de 2026, segundo relatório do Itaú BBA.
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