O Laboratório Cristália prepara-se para um salto histórico com a polilaminina, medicamento experimental que já demonstrou resultados inéditos: devolver movimentos a pacientes tetraplégicos. A descoberta, fruto de três décadas de pesquisa da cientista Tatiana Sampaio, da UFRJ, pode transformar não apenas a vida de milhões de pessoas, mas também o futuro da companhia. Informou o Neofeed.
Desde 2018, a Cristália investiu mais de R$ 100 milhões no desenvolvimento da polilaminina e agora acelera sua estratégia de expansão. A empresa anunciou a compra da fábrica da Takeda, em Jaguariúna (SP), por cerca de R$ 500 milhões, além de planejar a construção de uma nova unidade em Itapira, com investimento estimado em R$ 400 milhões.
O objetivo é garantir capacidade produtiva para atender à demanda nacional e internacional. Segundo Ogari de Castro Pacheco, cofundador e presidente do conselho da Cristália, o medicamento será “uma grande estrela da companhia” e poderá reposicionar o laboratório em um novo patamar global. A expectativa é que o registro definitivo da Anvisa ocorra entre 2026 e 2027, mas a empresa já estoca o princípio ativo em câmaras frias a -20°C, antecipando a produção em larga escala.
A polilaminina é obtida a partir da placenta humana, por meio de um processo exclusivo desenvolvido pela Cristália. Uma única placenta pode gerar até três frascos do medicamento. O laboratório já iniciou negociações com parceiros da Europa e dos Estados Unidos para distribuição internacional, enquanto no Brasil espera que o SUS incorpore o tratamento após aprovação regulatória.
Os resultados iniciais impressionam. Bruno Drummond, primeiro paciente a receber a polilaminina, recuperou movimentos após ter ficado tetraplégico em 2018. No entanto, especialistas alertam que o medicamento só é eficaz quando aplicado até 72 horas após a lesão, não sendo indicado para casos crônicos.
Com faturamento de R$ 4,5 bilhões em 2025 e caixa de R$ 5 bilhões, a Cristália aposta pesado na inovação. “Se precisar gastar R$ 2 bilhões para construir mais uma fábrica, eu vou fazer isso”, afirma Pacheco. A empresa já possui nove unidades produtivas e mais de 350 medicamentos em seu portfólio, mas vê na polilaminina a chance de abrir um novo mercado mundial e impulsionar toda sua linha de produtos.
Além da medula, a Cristália estuda novas aplicações da polilaminina em outras doenças que envolvem processos de regeneração. Com patentes nacionais e internacionais asseguradas até 2043, o laboratório garante exclusividade na produção e comercialização do medicamento.
Se confirmada sua eficácia em larga escala, a polilaminina poderá marcar uma virada histórica na medicina e consolidar a Cristália como protagonista global da inovação farmacêutica.
Patente
Tatiana Sampaio afirmou, recentemente, que a patente nacional vencerá em breve e a internacional foi perdida, a partir da falta de pagamento pela UFRJ, Pacheco garante que não há risco de o Brasil perder a exclusividade de produção da polilaminina.
Hoje a exclusividade de produção do princípio ativo é da Cristália. Segundo ele, a patente nacional foi aplicada pela empresa em 2022, e a internacional, em 2023. Com isso, a Cristália poderá produzir sozinha o medicamento até 2042, no mercado brasileiro, e até 2043 para venda internacional.
"Pedimos a patente do processo de fabricação e do produto finalizado. Temos muita experiência e contamos com mais de 140 patentes internacionais de medicamentos. Posso garantir que a polilaminina esteja protegida", afirma o presidente da Cristália.
E Pacheco ainda diz que a polilaminina poderá beneficiar pacientes com outras doenças. Para isso, o presidente da Cristália já revelou que há a intenção de, em breve, solicitar registro à Anvisa para testes de outras funcionalidades, que ele ainda prefere não dizer.

Comentários