Foto: Divulgação/Elfa Medicamentos
por Joni Mengaldo
A Elfa, tradicional distribuidora de medicamentos, materiais e soluções hospitalares controlada pelo Pátria Investimentos, deu início a um movimento estratégico para reestruturar sua dívida bilionária. A companhia contratou a consultoria RK Partners e o escritório E. Munhoz para conduzir o processo, que, por ora, busca alternativas fora do âmbito judicial, evitando a recuperação judicial.
Do outro lado da mesa, os debenturistas também se organizaram e já contam com a assessoria do escritório TWK e do banco de investimento Moelis & Co., sinalizando que as negociações devem ser intensas. Informou o Pipeline.
Panorama da dívida
No primeiro trimestre de 2026, a dívida bruta da Elfa somava aproximadamente R$ 1,7 bilhão. Desse montante, R$ 703 milhões estavam vinculados a debêntures com garantia, com vencimento previsto para 2031 e distribuídas no mercado. A empresa conseguiu recentemente renegociar parte de suas obrigações com bancos, reduzindo o endividamento em R$ 144 milhões. Agora, o foco está voltado para os debenturistas, com expectativa de alongamento dos prazos e amortizações condicionadas a eventos de liquidez.
Entre as garantias oferecidas, os credores possuem alienação fiduciária de 100% da Descarpack e participação na Surya. A possibilidade de venda desses ativos volta ao radar, especialmente da Descarpack, cuja alienação já havia sido considerada anteriormente.
Rebaixamento de rating e suspensão de pagamentos
A situação financeira da Elfa se agravou após a Fitch Ratings rebaixar a nota de crédito da companhia de “C” para “B-”, indicando alto risco de calote. A decisão veio na esteira da suspensão temporária, por 40 dias, do pagamento de obrigações financeiras, incluindo juros das debêntures. A medida foi aprovada pelos credores e prorrogada até 1º de outubro, como parte das negociações em andamento.
Segundo a Fitch, a deterioração da flexibilidade financeira da empresa decorre do elevado consumo de caixa com pagamentos de juros e da indisponibilidade de linhas de crédito de curto prazo. Para mitigar os impactos, o Pátria já injetou cerca de R$ 1 bilhão na companhia desde 2023, sendo R$ 160 milhões apenas no primeiro trimestre de 2026.
Resultados e estratégia de portfólio
O primeiro trimestre encerrou com prejuízo de R$ 142 milhões, um aumento de 260% em relação ao mesmo período do ano anterior. A Elfa, que cresceu de forma acelerada nos últimos anos com a aquisição de 21 empresas, agora busca reorganizar seu portfólio. A estratégia passa pela venda de ativos e pela concentração em segmentos de maior rentabilidade, como medicamentos oncológicos, imunológicos e biológicos, além de dispositivos médicos, estética e equipamentos de imagem.
Posicionamento oficial
Em nota, o Grupo Elfa afirmou que “mantém tratativas com seus debenturistas de forma responsável e transparente, com objetivo de adequar seu perfil de endividamento e fortalecer sua estrutura financeira. A companhia segue operando normalmente, gerando caixa e comprometida com rígidos padrões de governança corporativa. Para a empresa, este é mais um passo importante na busca da melhoria contínua de sua estrutura.”
Fonte: Pipeline
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