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Imagem de arquivo mostra as dependências da farmacêutica EMS, em Hortolândia (SP). — Foto: William de Freitas

 

A Justiça Federal do Rio de Janeiro condenou a farmacêutica EMS e o Instituto Vital Brazil (IVB) a ressarcirem a União por descumprirem parcialmente o contrato de transferência de tecnologia do medicamento mesilato de imatinibe, utilizado no tratamento de câncer e distribuído pelo SUS. O valor pode chegar a R$ 1 bilhão, segundo estimativas iniciais. Informou o G1.

A decisão, assinada pela juíza federal Vivian Machado Siqueira, da 29ª Vara Federal, aponta que, embora o fornecimento do medicamento tenha ocorrido normalmente aos pacientes, a etapa de nacionalização da produção não foi integralmente cumprida. O contrato previa que o IVB dominasse a tecnologia para fabricar o medicamento em território nacional, reduzindo a dependência externa e garantindo autonomia produtiva.

Durante a vigência da Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP), entre 2013 e 2018, a União pagou valores superiores aos praticados no mercado, sob a justificativa de que haveria transferência completa de conhecimento. No entanto, segundo a sentença, o Instituto Vital Brazil limitou-se a atividades de controle de qualidade e embalagem, sem desenvolver capacidade industrial para a produção.

A magistrada concluiu que a EMS tinha ciência das limitações do parceiro estatal, mas continuou recebendo valores que incluíam a parcela destinada à transferência de tecnologia. A decisão afirma que essa conduta configura “enriquecimento sem causa” e viola princípios da moralidade administrativa e da boa-fé.

O ressarcimento será calculado em fase posterior do processo, considerando a diferença entre os preços pagos e os valores de mercado. A responsabilidade foi dividida em 90% para a EMS e 10% para o Instituto Vital Brazil, com correção monetária e juros.

Em nota, a EMS declarou que a transferência de tecnologia foi realizada integralmente, comprovada pelo registro da Anvisa que habilita o IVB a produzir o medicamento. A farmacêutica afirmou ainda que interpôs recurso e que não houve pagamento acima dos valores de mercado, destacando que o tema segue em discussão judicial.

 

PDP 

A Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) foi firmada em 2012. O objetivo era que o Instituto Vital Brazil, ligado ao governo do estado do Rio de Janeiro, passasse a dominar a tecnologia necessária para produzir o medicamento mesilato de imatinibe, nas apresentações farmacêuticas de 100 mg e 400 mg, para o tratamentode leucemia mieloide crônica e outras neoplasias hematológicas.

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