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Drones sobre nossas cabeças levando pacotes: isso é viável? -  Imagem: Getty Images/iStockphoto

Gabriel Francisco Ribeiro

Do UOL, em São Paulo

Drones já conseguem realizar diversas funções – desde matar, como o exército norte-americano já faz há anos, a até tirar fotos, modinha das redes sociais após o preço desses equipamentos cair um pouco. Uma aplicação dessa tecnologia que estamos cada vez mais perto de ver é entrega de produtos pelas aeronaves sem tripulantes. Mas pense bem: você quer isso realmente?

A promessa de delivery por drones, por sinal, é antiga. Lá em 2013 Jeff Bezos, chefão da Amazon, mostrou um “octocóptero” e apontou que a empresa faria entregas por drones até o ano de 2018. O prazo da promessa já passou sem ser realizada, mas é inegável que estamos cada vez mais próximos desse cenário.

Além da Amazon, empresas como a Uber e Alphabet já traçam planos de um futuro movido a entregas por drones, algo que pode baratear serviços e derrubar o tempo de espera do cliente pelo produto comprado. Mas só a vontade e a tecnologia existente não bastam.

Queremos, mas não queremos

De cara, entrega por drones parece fantástico. Alguns possíveis benefícios já ficam claros na nossa mente ao pensarmos nessa tecnologia funcionando plenamente:

  • Entregas mais rápidas: drones não enfrentariam trânsito e afins. Longas distâncias podem ser encurtadas (dependendo da capacidade do drone). Entregas podem ocorrer minutos após a confirmação do pagamento.
  • Meio-ambiente: usar drones significa diminuir impactos ambientais de entregas feitas por motos ou carros movidos a combustíveis fósseis.
  • Entregas mais baratas: essa aqui pode ser um pouco questionável. Apesar de não precisar de um entregador como um motoboy ou uma pessoa dirigindo um veículo, drones terão que contar, inicialmente ao menos, com operadores. O custo pode ser menor se pensado no conjunto, já que não será necessário gastar gasolina.
  • Locomoção: drones podem chegar em terrenos mais acidentados e superar barreiras físicas que impedem automóveis.
  • Tecnologia já existe: não é preciso criar algo completamente novo: os drones já estão por aí e a base da tecnologia existe.
  • Eficiência: tudo isso citado acima faz a entrega por drones ser mais eficiente do que a atual logística complicada de transportes.

Se tem tanta coisa boa, então por que isso não emplacou?

Talvez por algo que permeia a todos nós: queremos um enxame de drones voando sobre nossas cabeças levando pacotes para lá e para cá? Até mesmo quem vive no meio da tecnologia tem dúvidas em relação a isso – Randi Zuckerberg, irmã de Mark Zuckeberg, afirmou em palestra no Brasil no ano passado que não é tão fá da ideia.

"Por uma lado isso parece maravilhoso, mas por outro imagina drones carregando objetos sobre nossas cabeças o dia todo?"

É aí que está um dos pontos que fazem essa tecnologia não ter emplacado. Não é só isso, contudo:

  • Segurança: vários drones, de diversos entregadores diferentes, sobrevoando nossas cabeças ainda não é algo completamente seguro. Pode vir a ser quando o 5G permitir uma comunicação eficaz entre os equipamentos, como ocorrerá com carros autônomos. Há ainda o perigo de colisão com pássaros em alturas baixas e até
  • Limitações: os drones tradicionais atuais estão limitados a carregar entregas de alguns poucos quilos. Ou seja: produtos mais pesados continuariam dependentes da atual logística.
  • Poluição sonora: drones são barulhentos. Nesse caso, não teríamos apenas a sensação de um enxame de drones sobre nossas cabeças, mas também o barulho que poderia fazer com que bairros residencias barrassem a modalidade. Estudo recente da Nasa identificou que as pessoas acham barulhos de estradas menos irritantes que o “buzz” de drones.
  • Falta de padrão: diferentes regiões tem regulamentações diversas sobre tamanho de drones e a altura em que podem voar. Já em locais como a Arábia Saudita drones são totalmente proibidos, por exemplo.
  • Clima: em dias de chuva pesada, aeroportos chegam a ser fechados. Imagina então drones no verão brasileiro: qualquer tarde teria um acúmulo de entregas por causa de temporais que impossibilitem o transporte.
  • Privacidade: imagina você na piscina da sua casa ou apartamento e vários drones indo e vindo sobre sua cabeça. Tem certeza que nenhum está te filmando?
  • Regulamentação: um dos maiores empecilhos envolve a regulamentação dessa atividade. Autoridades do espaço aéreo são mais cuidadosas ao permitir um novo serviço ou não.

O que já é real

Algumas iniciativas envolvendo entrega por drones já viraram realidade. Até mesmo no Brasil: em 2014, uma pizzaria de Santo André (SP) chegou a entregar um pedido por drone em uma cobertura sem autorização de órgãos de aviação. Já no Carnaval deste ano o iFood fez uma ação promocional envolvendo uma entrega por drone em um trio elétrico em São Paulo.

Exemplos mais reais dessa tecnologia, contudo, estão fora do Brasil. Na África, alguns países utilizam drones para entregar remédios e até sangue para áreas mais remotas. A ação que salva vidas já foi usada em Ruanda, em parceria feita com a empresa norte-americana Zipline.  A entrega para áreas remotas rapidamente, por sinal, é um dos mais interessantes usos da tecnologia: só nesse teste em Ruanda as entregas de medicamentos que antes eram feitas em quatro horas agora chegam em 30 minutos.

Nos Estados Unidos, existem outros usos. A polícia da cidade norte-americana de Chula vista, na Califórnia, passou recentemente a contar com a ajuda de drones para flagrar crimes nas ruas.

Regulamentação é principal barreira

Uma das maiores barreiras para a tecnologia de entrega por drones emplacar é uma regulamentação em torno disso. As próprias empresas envolvidas sabem que a aplicação da tecnologia pode demorar mais do que em outras áreas por normalmente a regulamentação de novos elementos no espaço aéreo ser mais complicada.

Ao UOL Tecnoloiga, Tom Prevot, diretor de sistemas aeroespaciais da Uber, apontou que já existem conversas com autoridades sobre o futuro “Uber voador” para transporte de passageiros. O chamado VTOL contará com tripulante no início, mas é desenhado para voar de forma autônoma, o que o torna mais semelhante a drones.

Pensar em aeronaves voando sobre nossas cabeças entregando objetos e até pessoas é algo já visível no horizonte, mas que necessitará inclusive de um novo sistema de controle de espaço aéreo como ocorre com aviões atualmente. Isso é necessário para prevenir acidentes, ataques terroristas e outros problemas – recentemente, houve casos de aeroportos sendo fechados por causa de drones no Reino Unido e na Austrália.

Ainda assim há poucas dúvidas de que isso virará realidade de alguma forma – mesmo que sua pizza não seja entregue por um drone, algum sistema de entrega usará essa tecnologia. A própria indústria de drones está em alto crescimento: passou de US$ 40 milhões em 2012 para US$ 1 bilhão em 2017 nos Estados Unidos.

A tecnologia de delivery por drones pode chegar a passos de tartaruga em vez de “voando”, mas em algum momento provavelmente veremos isso virar realidade.

Fonte: UOL

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