Fresenius, de diálise, cresce com aquisições no Brasil

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por Rafael Rosas

Valor Econômico


25/09/19 - A alemã Fresenius Medical Care segue uma política agressiva de aquisições no Brasil, em um mercado pulverizado de clínicas e serviços ligados a diálise e tratamento renal. Foram 12 aquisições desde o ano passado, que ajudaram a elevar a previsão de faturamento da empresa no país para R$ 900 milhões este ano, crescimento de 22,3% ante os R$ 736 milhões de 2018.

A Fresenius é líder mundial no fornecimento de produtos e serviços a pacientes em tratamento renal. No ano passado, a receita global da companhia foi de € 16,54 bilhões sendo responsável por praticamente a metade do faturamento de € 33,53 bilhões do Grupo Fresenius Global, que engloba a Fresenius Kabi, especializada em nutrição clínica e terapia e tecnologia de infusão; a Fresenius Helios, com foco em gestão e operação de clínicas de internação e centros de reabilitação; e a Fresenius Vamed, empresa de consultoria, planejamento e gestão de estruturas de saúde.

Entre as aquisições mais recentes estão a Samarim, clínica localizada no Hospital Samaritano Higienópolis, que atende 147 pacientes crônicos e realiza mais de 3 mil procedimentos em pacientes agudos por ano; a Saubern, produtora paranaense de equipamentos e soluções para tratamento de água, que fatura cerca de R$ 20 milhões por ano e exporta para países como Chile, Peru e Bolívia; e 60% da Uninegron, referência no setor de tratamento de diálise em Pernambuco. O presidente da Fresenius Medical Care no Brasil, Edson Pereira, afirma que o faturamento da companhia no Brasil deverá superar a marca de R$ 1 bilhão “nos próximos anos”, mas não especifica quando isso deverá ocorrer. “O objetivo é buscar aquisições de empresas que tenham sinergia com o nosso negócio”, afirma Pereira.

A fatia de mercado da companhia nos equipamentos para tratamento de pacientes com problemas renais gira em torno de 60% no Brasil, mas no setor de serviços essa participação é de cerca de 7%. “O mercado é composto por muitas pequenas empresas familiares”, afirma Pereira.

O Brasil é o quinto maior mercado para pacientes de diálise, mas o diretor de marketing da Fresenius, Felipe Pinho, destaca que há potencial para crescer, uma vez que as estimativas indicam que apenas 60% dos pacientes potenciais são tratados. Ele diz que o Brasil tem cerca de 800 clínicas de hemodiálise, das quais 32 pertencem à Fresenius Medical Care, que faz mais de 1 milhão de tratamentos por ano no país.

Pinho diz que em um país com mais de 5,5 mil municípios, o número de clínicas de diálise se mostra insuficiente, uma vez que o tratamento deve ser contínuo em pacientes que muitas vezes desenvolvem problemas de locomoção e são obrigados a viajar para outra cidade duas ou três vezes por semana. Na média global, de cada 1 milhão de habitantes, há 1 mil pacientes que necessitam de tratamento renal contínuo. No Brasil, essa média é de 600 pacientes por 1 milhão de habitantes.

Uma alternativa utilizada é a diálise peritoneal, na qual o paciente é treinado e recebe o equipamento e o material necessários para realizar em casa o processo, que consiste na utilização do peritônio como substituto para as funções que os rins não conseguem mais executar. A Fresenius atende 665 pessoas nessa modalidade. Além de evitar deslocamentos, esse processo garante mais qualidade de vida aos usuários por ser menos invasivo que a diálise tradicional, segundo a empresa.

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