Grupo DPSP foca em tecnologia para criar ecossistema de saúde

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Foto: Grupo DPSP

 

Projeto terá investimento de R$ 500 milhões no próximo ano, com objetivo de se tornar um hub completo de saúde

 

O Grupo DPSP está focado em ser muito mais do que uma das grandes redes de farmácias do Brasil. O objetivo da companhia é se tornar um hub completo de saúde que digitaliza profissionais de saúde, pacientes e farmácias em algo como um open health – seguindo a tendência do open banking.

Para isso, então, adquiriu a empresa T.I. Saúde há dois meses e aprimorou sua plataforma Viva Saúde.

O CDO do Grupo DPSP, Cristiano Hyppolito, frisou a importância de mudar a cultura dos médicos para que todos os outros pilares também sejam mais digitalizados. Mas, apesar disso, o foco é atingir toda a população brasileira.

“A plataforma é desenhada para toda a população, mas o público-alvo é a população mais carente que não tem acesso à saúde privada. O nosso objetivo é levar saúde de qualidade para esses brasileiros para eles terem acesso à saúde de qualidade”, resumiu.

 

Qual a importância da aquisição da T.I. Saúde?

Cristiano Hyppolito: Nós estamos estruturando essa nova empresa há um bom tempo e olhamos qual seria o principal ator que precisámos olhar para começar a movimentar e transformar. Dentro da nossa estratégia, o médico é o elo mais forte e, hoje, eles não são digitalizados. A maioria tem sistemas caseiros, prescreve no papel. Nós olhando e chegamos à conclusão de que se a gente não digitalizar esse elo, nenhum outro elo faria sentido.

Para isso, a gente poderia construir uma solução ou fazer um M&A (Mergers and Acquisitions). Analisamos algumas empresas e, no fim, definimos a T.I. Saúde. Ela é muito específica ao olhar para os médicos e outros profissionais de saúde e para as clínicas. A aquisição é mega relevante porque é um elo muito forte em algo que a gente acredita.

 

O que é a plataforma do Viva Saúde – que nasce a partir dessa aquisição?

O Viva Saúde é uma plataforma digital com a missão de fazer os brasileiros viverem mais e melhor gerando valor para todos os stakeholders da saúde. Não é apenas ter médicos, fisioterapeutas ou farmacêuticos. O foco é conectar todos os elos da saúde.

Nós estamos construindo uma plataforma como um open banking – o open health.

O usuário poderá passar seus dados do médico A para o médico B e ter todo o seu histórico de saúde digital.

Os médicos também terão seus protocolos digitalizados, assim como as receitas médicas.

O hub dará toda a informação e informação e autonomia, além de conteúdos não somente do tratamento, mas para que a pessoa tenha uma saúde melhor. Além disso, será conectado com o mundo físico.

A plataforma foi feita para todas as farmácias do Brasil, não somente para a DPSP.

A partir disso, serão conectadas as visitas aos estabelecimentos aos remédios comprados e até entender sobre a desistência de tratamento.

Toda a plataforma foi construída seguindo a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e o dono dos dados é o próprio paciente.

 

Qual o público-alvo da plataforma?

A plataforma é desenhada para toda a população, mas o público-alvo é a população mais carente que não tem acesso à saúde privada.

O nosso objetivo é levar saúde de qualidade para esses brasileiros para eles terem, então, acesso à saúde de qualidade.

No futuro, fazendo uma analogia, nós seremos como um “uber” de médicos para os pacientes – que terão acesso aos profissionais de todo o Brasil somente pela plataforma. Do outro lado, a analogia é ser o Windows dos médicos. Ou seja, a plataforma básica para que todos trabalhem.

 

Como o grande foco é a parte carente da população, existe um foco de ter a plataforma no SUS?

As prefeituras podem (e algumas já estão) usar o Viva Saúde como plataforma de saúde da cidade. No entanto, os médicos também podem contratá-la.

Caso sejam recém-formados o uso é gratuito e aqueles que já têm sua carreira consolidada pagam um pequeno fee.

Além disso, o seu login e senha podem ser usados em todos os lugares em que ele trabalha para fazer a gestão total. OS clientes não pagam fee algum para usar a plataforma.

Ao falar sobre a população carente, o objetivo é também dar acesso a outros tipos de médicos dentro da plataforma. Um médico no Tocantins pode atender alguém de São Paulo pelo valor que desejar, começando a democratizar o acesso à saúde.

 

Quantos médicos vocês esperam atingir com o Viva Saúde?

O nosso objetivo é ter 150 mil médicos na plataforma (cerca de um terço de todos os profissionais no Brasil) dentro da plataforma.

Portanto, isso é essencial para não ter quebra de experiência, pois o envio de dados só poderá ser feito entre profissionais que estão cadastrados.

 

Ainda sobre o público-alvo, como vocês pretendem suprir o problema de conectividade?

Esse é um grande desafio e o 5G ajudará bastante. Mas nós criamos uma plataforma para trabalhar offline também.

Ou seja, em lugares remotos – como as regiões ribeirinhas na Amazônia – um barco vai na região para oferecer os serviços à população e, quando está online novamente, todas as informações são computadas no sistema.

 

Qual será a participação das farmácias no Viva Saúde?

A farmácia é muito mais passiva do que ativa.

Para isso, uma perna desse sistema estará na farmácia, onde os profissionais terão acesso às informações para auxiliar nas compras do paciente, com acesso, por exemplo, à prescrição eletrônica.

Mas também ajudará em informações para os médicos.

Por exemplo: se um médico prescreve um medicamento de referência e o paciente compra um genérico e tem alguma reação, o profissional saberá exatamente qual remédio foi comprado.

 

A plataforma já está disponível?

A plataforma existe desde 2018 como Viva Saúde. Porém, a gente comunicou a compra início de janeiro e estamos falando como ecossistema de saúde nesses últimos dois meses.

 

Qual foi o investimento para o Viva Saúde?

Entre o que já foi investido e o que será investido nos próximos cinco anos, são R$ 500 milhões. Além disso, hoje temos 50 colaboradores nessa área e vamos dobrar de tamanho nos próximos seis meses.

 

Quais foram os principais desafios para a implementação?

O principal desafio é mudar o mindset dos médicos.

A grande maioria, no entanto, ainda faz todo o seu processo manual.

Alguns médicos que começaram a fazer a telemedicina faz a prescrição eletrônica e manda o PDF, mas isso perde a capacidade de controlar toda a sua jornada – precisamos mudar esse hábito.

 

Em geral, como você enxerga essa iniciativa para o ecossistema geral de saúde?

Esse é o futuro. Quando olhamos para os próximos cinco ou dez anos, a farmácia vai virar, cada vez mais, um hub de saúde. A conexão do físico com o digital será o futuro.

 

Fonte: IT Forum

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