Grupos antivacina se rebelam contra pressão da Europa

Na Europa e nos EUA, governos têm guerra contra movimentos antivacina

O Estado de S.Paulo 

23/11/21 - Os europeus não vacinados iniciaram uma rebelião contra novas obrigatoriedades e restrições para conter o avanço da pandemia de covid-19 no continente. A raiva aumenta à medida que o mundo fica menor para eles, que se sentem cada vez mais excluídos da vida pública.

Na Áustria, que iniciou ontem um lockdown nacional que deixou as ruas de Viena desertas, os protestos foram no fim de semana. Cerca de 40 mil manifestantes tomaram a capital. Alguns entraram em confronto com a polícia. Houve protesto contra restrições e exigências de vacinas na Holanda, Bélgica, Dinamarca, Itália, Irlanda do Norte e Croácia.
Alguns com violência, que a polícia reprimiu.

Muitos manifestantes foram convocados por partidos de extrema direita, mas muitos estavam simplesmente fartos de quase dois anos de controles estatais intermitentes sobre a vida cotidiana em nome da saúde pública.

APELOS

O ministro da Saúde da Alemanha, Jens Spahn, pediu ontem aos alemães que se vacinem “urgentemente” e alertou que, ao final do inverno, “as pessoas estarão vacinadas, curadas ou mortas”, em razão da propagação da variante Delta. “A imunidade precisa ser alcançada”, disse. Ontem, a Alemanha superou o recorde de 65 mil casos em 24 horas e a chanceler, Angela Merkel, que deixará o cargo, advertiu sobre uma “situação altamente dramática”.

A revolta também tomou conta das ruas de Roterdã, na Holanda. Ahmed Aboutaleb, prefeito da cidade, descreveu as manifestações como uma “orgia de violência”. Pessoas incendiaram objetos e arremessaram pedras contra a polícia. Vários manifestantes foram presos, em meio a um lockdown parcial e um projeto de lei que pretende proibir pessoas não vacinadas de entrar em estabelecimentos comerciais e empresas.


O descontentamento, no entanto, não se restringiu à Europa, atual epicentro da pandemia.
Na Austrália, milhares de pessoas se manifestaram contra leis pandêmicas em várias cidades. A França acionou forças especiais para seu território ultramarino de Guadalupe, no Caribe, após dias de agitação e violência.
A irrupção de ódio ilustra o desafio dos países desenvolvidos, que têm estoques de vacinas de sobra, para superar a hesitação da população e chegar a índices de cobertura vacinal quase totais.

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