Cimed lançou a marca Urso em janeiro de 2026
Justiça barra marca Urso da Cimed em disputa milionária no mercado de suplementos
Em uma decisão que promete agitar o setor de suplementos alimentares, a Justiça de São Paulo determinou que a farmacêutica Cimed interrompa imediatamente a divulgação e comercialização da recém-lançada marca Urso. A medida liminar foi concedida após ação movida pela J.A. Hard Nutrition, proprietária da Under Labz, que acusa a concorrente de concorrência desleal e uso indevido de identidade visual já consolidada no mercado. Informou o NeoFeed.
A decisão, publicada no Diário Oficial em 3 de fevereiro e assinada pelo juiz Bruno Paes Straforini, da 1ª Vara Cível de Barueri, aponta que a utilização da figura do urso pela Cimed poderia causar confusão entre consumidores e prejudicar a atuação da Under Labz, empresa fundada em 2021 e que sempre utilizou o animal como símbolo de sua marca. O magistrado destacou ainda que a superioridade econômica da Cimed poderia comprometer a competitividade da autora no setor.
Disputa de mercado bilionário
O lançamento da marca Urso, amplamente divulgado em janeiro nas redes sociais da Cimed e do CEO João Adibe Marques, fazia parte da estratégia da farmacêutica para reduzir a dependência do setor de medicamentos e expandir sua presença no segmento fitness. As peças publicitárias mostravam o urso em versão fisiculturista, associado à cor amarela característica da empresa.
No entanto, a J.A. Hard Nutrition alegou que a iniciativa configurava “imitação ideológica, concorrência desleal e parasitismo”, além de diluir o valor distintivo da marca Under Labz. A Justiça acatou os argumentos e determinou multa diária de R$ 10 mil, limitada a R$ 300 mil, caso a Cimed descumpra a ordem. Além disso, proibiu o lançamento de qualquer produto da linha Urso, sob pena de multa de R$ 2,5 milhões.
Repercussões imediatas
Após a decisão, todas as publicações relacionadas à marca Urso desapareceram das redes sociais da Cimed e de João Adibe Marques. A própria página oficial da marca foi retirada do ar. Até mesmo o influenciador Toguro, recém-anunciado como head de comunicação da farmacêutica, deixou de mencionar os produtos.
A disputa ocorre em meio a um mercado em plena expansão: segundo a Euromonitor International, o setor de suplementos alimentares no Brasil deve movimentar cerca de R$ 10 bilhões até 2028, com crescimento anual superior a 20%. O país já ocupa a terceira posição mundial, atrás apenas de Estados Unidos e Austrália, com destaque para produtos como creatina e whey protein.
Estratégia de diversificação
Apesar do revés judicial, a Cimed segue investindo em diversificação. No início de fevereiro, anunciou a aquisição da marca de higiene bucal IceFresh, que fatura R$ 200 milhões por ano. O objetivo é conquistar 10% do mercado de oral care no Brasil, setor avaliado em R$ 20 bilhões, e fazer com que higiene, beleza e cuidados pessoais representem mais da metade da receita da companhia.
O mérito da ação envolvendo a marca Urso ainda será julgado, mas o caso já evidencia a intensidade da disputa por espaço em um mercado altamente competitivo e em franca expansão.
Fonte: NeoFeed
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