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Por Nathan Vieira • Editado por Luciana Zaramela | Canaltech
Pesquisadores do Mass General Brigham descobriram que um medicamento chamado glucarpidase pode ajudar na recuperação renal de pacientes em quimioterapia. Como mostra o estudo, publicado no último dia 6, os pacientes que receberam a fórmula tiveram chances significativamente maiores de recuperação em comparação com os outros.
"A glucarpidase é única porque é um dos poucos antídotos potenciais disponíveis para neutralizar as altas taxas de toxicidade causadas pela quimioterapia. Embora a glucarpidase tenha sido aprovada pela FDA [órgão de saúde dos EUA] em 2012, nosso estudo é o primeiro a fornecer uma avaliação abrangente de seus potenciais benefícios clínicos", diz a equipe, em comunicado divulgado pelo próprio instituto.
O estudo se concentrou no medicamento quimioterápico mais comum, o metotrexato, que em altas doses pode causar complicações graves, como toxicidade hepática e baixa contagem de glóbulos brancos.
E o que acontece é que a glucarpidase converte o metotrexato no sangue em metabólitos inativos, e até então, nenhum estudo tinha conseguido entender se esses efeitos são benéficos.
O objetivo da pesquisa é justamente abordar essa lacuna de conhecimento. Para isso, os pesquisadores usaram dados detalhados de vários centros de câncer e imitaram as condições de um ensaio clínico.
Os autores avaliaram dados coletados entre 2000 e 2022, de 708 pacientes. Desses, 209 receberam glucarpidase dentro de quatro dias após a exposição ao metotrexato e 499 não receberam.
Recuperação renal
Eles compararam o nível e a velocidade da recuperação renal dos dois grupos no momento da alta hospitalar, e descobriram que o tratamento com glucarpidase foi associado a um aumento de 2,7 vezes nas chances de recuperação renal em comparação com a ausência de glucarpidase.
"Pacientes que receberam glucarpidase também tiveram recuperação renal mais rápida e menor risco de neutropenia grave ou toxicidade hepática em comparação com aqueles que não a receberam", diz o comunicado.
Os autores esperam que suas descobertas incentivem os médicos a usar glucarpidase para pacientes com toxicidade renal causada pelo metotrexato.
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