Um futuro promissor se desenha no campo do tratamento contra a obesidade. Pesquisas recentes indicam que uma nova geração de medicamentos pode superar a eficácia dos já populares Ozempic e Wegovy, que transformaram o mercado nos últimos anos.
Um estudo realizado pela Universidade McGill, no Canadá, e publicado no Annals of Internal Medicine trouxe à tona dados sobre os medicamentos atuais baseados no hormônio GLP-1, como a semaglutida (presente no Ozempic e no Wegovy). Embora comprovadamente eficazes, essas terapias agora enfrentam a perspectiva de novos concorrentes ainda mais avançados.
Evolução em tratamentos atuais
A semaglutida, desenvolvida pela Novo Nordisk, representa um marco no tratamento da obesidade. Inicialmente aprovada para o controle do diabetes tipo 2 em 2017, a substância mostrou uma perda média de 10% a 15% do peso corporal em ensaios clínicos, superando métodos convencionais como dieta e exercício.
Mais recentemente, a tirzepatida, da farmacêutica Eli Lilly, despontou como uma opção inovadora ao combinar a ação do GLP-1 com o hormônio GIP, responsável por potencializar a saciedade. Os resultados impressionam: pacientes perderam até 20% de peso corporal em ensaios clínicos, colocando o medicamento, comercializado como Mounjaro, à frente de seus concorrentes.
O trunfo do retatrutide
Entre os avanços mais esperados, o retatrutide, também da Eli Lilly, chama atenção por sua ação tripla. Além de controlar a fome e a glicose com GLP-1 e GIP, ele ativa o glucagon, que aumenta o gasto energético. Em testes clínicos de fase 3, a substância possibilitou uma perda de até 22% do peso corporal em 48 semanas. Sua aprovação está prevista para 2026.
Outros medicamentos em destaque
Além do retatrutide, outras grandes farmacêuticas também estão na corrida:
- Amycretin (Novo Nordisk): Em testes preliminares, apresentou perda de peso superior à semaglutida e à tirzepatida.
- Survodutide (Boehringer Ingelheim + Zealand Pharma): Um agonista duplo promissor.
- CagriSema (Novo Nordisk): Combina semaglutida com o experimental cagrilintide, mas decepcionou em testes iniciais, com perda de “apenas” 22% do peso, abaixo da expectativa de 25%.
Desafios e oportunidades
Apesar dos avanços, os desafios persistem. Altos custos – que podem ultrapassar mil dólares mensais – e efeitos colaterais como náuseas e vômitos ainda dificultam o acesso e a aceitação dos tratamentos.
Especialistas apostam que, com a entrada de novos medicamentos no mercado, será possível reduzir os preços e ampliar a cobertura por planos de saúde. Resta saber se a concorrência será suficiente para tornar essas terapias acessíveis a mais pessoas.
À medida que a corrida pela inovação esquenta, uma coisa é certa: o tratamento contra a obesidade nunca esteve tão perto de dar um salto revolucionário.
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