
O Globo
Colunista: David Uip
07/11/21 - Desde o ano passado a população tem se acostumado a tomar alguns cuidados para tentar escapar da pandemia do novo coronavírus. Agora, graças às vacinas e aos protocolos adotados, foi possível uma gradativa queda nos números de casos e internações por Covid-19, mas precisamos lembrar que existem outros inimigos que periodicamente voltam a nos preocupar, especialmente em estações mais quentes como as que estão por vir.
Dengue, zika e chicungunha são doenças transmitidas por um mesmo mosquito, o Aedes aegypti, um velho conhecido. Em épocas mais quentes e chuvosas, o ciclo de reprodução desse inseto é acelerado, o que faz com que o número de casos dessas doenças, conhecidas como arboviroses, acabe subindo e gerando preocupação.
Considerando apenas o ano de 2020, tivemos quase um milhão de casos de dengue registrados pelo Ministério da Saúde no Brasil. Uma queda em relação ao ano anterior, mas ainda assim um número alto, ainda mais considerando que a rede de saúde também estava lidando com a crise provocada pelo coronavírus. A tendência é que os números subam novamente, caso os devidos cuidados não sejam tomados.
Ainda de acordo com a Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, entre 2008 e 2019 o Brasil registrou 11,6 milhões de casos de arboviroses, com 7 mil deles fatais. A dengue foi responsável por mais de 91% dessas mortes.
Em 2016 a chicungunha trouxe sérios problemas para a saúde pública brasileira, não só pelos altos números de contaminação, mas também pelas sequelas da doença nos pacientes. Pessoas que passavam meses com dores nas articulações e perdiam muita massa muscular e até mesmo a capacidade auditiva.
Um ano antes, o zika vírus foi registrado pela primeira vez em nosso país, e chegou assustando toda a população por conta de manifestações clínicas consequentes a infecção, como a Síndrome de Guillain-Barré e o nascimento de bebês com microcefalia.
Vale lembrar que alguns sintomas dessas doenças se assemelham, como a febre e as dores no corpo. E, em casos mais graves, a infecção pode trazer sequelas, incluindo problemas no fígado e no coração, danos neurológicos e respiratórios e até mesmo mortes.
Mas existe uma forma efetiva de combate: a informação. Uma população bem informada e conscientizada tem mais ferramentas para evitar que um vírus circule, e nessas situações é preciso investir firmemente nas campanhas de combate e prevenção.
São cuidados simples e que muitas pessoas já sabem de cor, mas precisam ser reforçados sempre para que o impacto dessas infecções possa ser minimizado. Hábitos como fechar as tampas de caixas d’água e lixeiras e evitar o acúmulo de água parada em pneus, vasos, lajes e calhas já ajudam muito para evitar a proliferação do mosquito transmissor desses vírus.
Para o futuro, ainda há a possibilidade de contar com vacinas, que auxiliarão imensamente na luta contra esses males. Já em fase avançada de pesquisa clínica destacam-se os imunizantes contra dengue, chicungunha e zika.
Enquanto não houver possibilidade de imunização em larga escala, os vírus continuarão a circular. Mas nós temos plena capacidade de fazer com que os efeitos sejam reduzidos, caso tenhamos aprendido uma importante lição que foi deixada pela pandemia: bons hábitos de saúde e higiene podem salvar vidas.
Por isso, da mesma forma que a população, de maneira geral, adotou as medidas necessárias para evitar o contágio pelo novo coronavírus, agora também é hora de se preocupar em combater as arboviroses, e a contribuição de cada cidadão é essencial para evitar que o Aedes aegypti faça novas vítimas.
Comentários