Remédios contra enxaqueca podem desencadear onda de M&A

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Bailey Lipschultz

As farmacêuticas que desenvolvem uma nova classe de remédios contra enxaqueca estão se aproximando de uma encruzilhada que poderia render alguns negócios bilionários.

Empresas de biotecnologia de valor de mercado pequeno, como a Biohaven Pharmaceutical Holding e a Alder Biopharmaceuticals, estão sendo cada vez mais mencionadas em conversas com investidores e analistas sobre as próximas parcerias ou aquisições em potencial. Projeta-se que a Biohaven vai solicitar aprovação dos órgãos reguladores dos EUA para o rimegepant, seu medicamento oral contra enxaqueca, no primeiro semestre do ano, e a Alder anunciou hoje que fez o pedido para sua infusão de tratamento preventivo.

"A diretoria da Biohaven pode precisar explorar alternativas estratégicas para comercializar o rimegepant com o intuito de maximizar o valor para o acionista", escreveu Esther Rajavelu, analista da Oppenheimer, em nota aos clientes. Ela estima uma venda direta da empresa entre US$ 2,4 bilhões e US$ 4,2 bilhões, em comparação com um valor de mercado atual de US$ 1,9 bilhão.

Com relação às perspectivas para as ações da Alder, Geoffrey Porges, da SVB Leerink, escreveu em uma nota de 14 de janeiro que as ações estão "prontas para uma reprecificação ou venda" devido à "onda de interesse em produtos biofarmacêuticos em estágios avançados".

A onda de interesse surgiu depois que pesos-pesados do setor, como Amgen, Eli Lilly e Teva Pharmaceutical Industries, lançaram uma nova classe de medicamentos para prevenir enxaqueca, conhecidos como inibidores de CGRP. Otimistas, analistas de bancos de investimento como RBC e Piper Jaffray vêem um potencial sucesso de vendas nos candidatos da Biohaven e da Alder, porque eles complementariam um mercado crescente e competitivo de medicamentos contra enxaqueca.

Mesmo com o salto da biotecnologia no começo do ano, ambas as empresas têm diferenças consideráveis entre as metas de 12 meses dos analistas e os níveis atuais de negociação. O preço-alvo médio para a Biohaven representa um retorno de 22 por cento, enquanto o potencial de alta para a Alder é de quase 70 por cento, de acordo com dados compilados pela Bloomberg.

A Biohaven preferiu não comentar. O CEO da Alder, Bob Azelby, disse que "como política da empresa, rumores ou especulações de mercado não são comentados".

Para os investidores que estiverem considerando a Alder, um dos principais debates diz respeito à fatia do mercado de enxaqueca que a empresa conseguiria arrebatar das companhias de grande valor de mercado, de acordo com Asthika Goonewardene, analista da Bloomberg Intelligence. Um comprador em potencial provavelmente seria uma farmacêutica que ainda não tenha um medicamento concorrente no mesmo espaço, disse Goonewardene.

Analistas estimam que o remédio contra enxaqueca da Lilly, Emgality, terá US$ 1,29 bilhão em vendas em 2023, e que o Aimovig, da Amgen, vai faturar US$ 1,04 bilhão naquele ano. Projeta-se que o medicamento concorrente Ajovy, da Teva, terá vendas de US$ 672 milhões em 2023, de acordo com a estimativa média em uma pesquisa da Bloomberg.

"Para essas empresas menores, tudo se resume a reduzir peças", disse Goonewardene. "Se este for um mercado de US$ 10 bilhões, haverá espaço para eles terem sucessos de vendas. Mas precisamos ver o crescimento das grandes empresas neste ano antes de fazer essa suposição."

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