Tecnologia na saúde aprimora formação médica

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Cena da série Residência Médica. Foto: Maíra Delpech/Wide/Divulgação

 

Os benefícios proporcionados pela evolução tecnológica também são aproveitados pelo segmento de formação e atualização de profissionais da área de saúde. A MedRoom, de Vinicius Gusmão e Sandro Nhaia, é um exemplo. Usando realidade virtual e estratégias de gamificação, a empresa desenvolveu produto que ajuda a melhorar o treinamento de estudantes e profissionais da saúde, reduzindo custos com aulas práticas. Mesmo em finalização, a solução é usada por duas instituições de ensino superior.

Para viajar pelo corpo de Lucy, modelo anatômico inserido no software desenvolvido pela MedRoom, os estudantes usam óculos de realidade virtual, dois joysticks e sensores. “Assim, os alunos do primeiro e segundo ano de medicina navegam pelos órgãos, veem o coração batendo, as artérias pulsando e o pulmão respirando, tudo em 3D”, diz Gusmão.

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Vinícius Gusmão (à esq.) e Sandro Nhaia. Foto: Isabele Araújo/Divulgação

Batizado de Laboratório de Morfofisiologia, o espaço digital permite aos estudantes analisar os órgãos e entenderem a correlação entre eles. “Não temos intenção de substituir aulas teóricas e práticas, como a dissecação de cadáveres. Nosso instrumento é usado na etapa inicial do curso e permite que os alunos observem o interior de um corpo vivo.”

Gusmão diz que o melhoramento da ferramenta será contínuo. “Queremos inserir variações anatômicas a partir de casos médicos. Estamos construindo uma ferramenta de raciocínio clínico que será incorporada ao sistema. Além de ser exploratória, como é atualmente, a ferramenta dará missão e recompensa aos usuários.”

Segundo ele, o produto proporciona imersão em anatomia e fisiologia, para que depois o aluno possa ir às aulas práticas com segurança. “O professor pode editar o conteúdo a ser acessado pelo aluno. A ferramenta também identifica o perfil do estudante e metrifica o que faz ao explorar o sistema.”

A fonte de receita da empresa vem da venda de licença anual de uso do equipamento para universidades. O serviço inclui atualização e manutenção dos equipamentos e conteúdos, além da venda da estação. Cada unidade custa R$ 85 mil.

Gusmão diz que muitas instituições estão solicitando informações sobre a solução. “Agora, estamos fazendo a adaptação do produto para comercializá-lo na América Latina. Além de traduzir para o espanhol, precisamos incluir a linguagem e cultura dos locais para os quais pretendemos vender.”

O Brasil tem cerca de 300 faculdades de medicina, com mais de 100 mil alunos matriculados. “E quando falamos da área de enfermagem, esse número quintuplica, sendo este um curso muito carente de tecnologia.” A MedRoom conta com 27 colaboradores e recebeu dois investimentos que superam R$ 1 milhão.

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Acelerados

Entre 2012 e 2015, o CEO da PebMed, Bruno Lagoeiro, médico especializado em clínica médica, e dois sócios com a mesma formação – Eduardo Moura e Pedro Gemal –, chegaram a vender 20 aplicativos voltados a profissionais de saúde. “Éramos o player brasileiro com mais aplicativos à venda no mercado”, recorda.

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(a partir da direita) Eduardo Moura, Pedro Gemal e Bruno Lagoeiro. Foto: André Portugal/Divulgação

Ao entrarem em um programa de aceleração de empresas, perceberam que o modelo de negócio com vários aplicativos não era ideal para atender as necessidades dos médicos. “Resolvemos reunir os vários aplicativos e criamos um único produto, o Whitebook”, conta Lagoeiro.

Segundo ele, a ferramenta tem versão para celulares e web. “Trata-se de uma solução de apoio à tomada de decisão médica. Hoje, oferecemos mais de cinco mil conteúdos, de 28 especialidades, para auxiliar os médicos, do diagnóstico à escolha do tratamento. Alunos de residência médica são beneficiados com o desenvolvimento de raciocínio clínico”, afirma.

Gusmão lembra que esse profissional precisa deter uma série de conhecimentos e múltiplas informações. “Desde sempre os médicos utilizam livros e outros materiais para consultas. Nossa solução contribui para um desempenho mais efetivo desses profissionais.”

Segundo a empresa, o Whitebook registra 170 mil usuários ativos por mês, entre médicos e estudantes. O aplicativo apresenta uma área gratuita e outra paga por meio de assinatura. “Também oferecemos gratuitamente o Portal PebMed, com notícias e atualizações médicas, e batemos a marca de um milhão de visualizações.”

Para oferecer os serviços, a PebMed formou uma equipe de 24 funcionários fixos e 20 consultores – médicos de múltiplas especialidades, que desenvolvem o conteúdo. Uma receita futura será a venda de assinatura para hospitais. “A cobrança será com base no volume de leitos, porque também oferece conteúdo para fisioterapeutas e enfermeiros.” A empresa pretende encerrar o ano com 240 mil usuários ativos e vender para a América Latina.

Incubadora do Einstein, Eretz.bio, reúne 23 startups

Direto do Vale do Silício, onde busca tecnologias e investimento, o diretor executivo de inovação do Hospital Albert Einstein, Cláudio Terra, que também é responsável pela incubadora de startups de saúde Eretz.bio, afirma que a digitalização traz consequências relevantes para o segmento.

“Ela representa mais acesso, escala, resolutividade e novas técnicas de ensino. O Brasil tem centros de ensino de excelência, mas é um país gigante. A abrangência das soluções torna possível levar conhecimento de ponta, em grande escala, para regiões remotas do País.”

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Claudio Terra. Foto: Fábio Mendes/Divulgação

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Como exemplo, cita o uso que o Einstein faz da telemedicina. “Neste ano, esperamos fazer 100 mil atendimentos à distância. Em 2017, foram 40 mil e no ano anterior, 7 mil. Temos 15 produtos nesse formato, como tele diabetes e tele UTI. Atendemos desde escolas e empresas até hospitais e plataformas de petróleo. É uma transformação digital incrível, com grande impacto na saúde.”

Terra diz que o modelo não possui o formato clássico de ensino, mas transfere conhecimento. “Nos locais mais remotos, médicos e estudantes de medicina têm acesso aos melhores profissionais do Einstein, em tempo real. O valor é acessível, porque ganhamos com a escala.” A iniciativa começou em 2012 e passou a ser comercializada em 2014.

Entre as 23 startups incubadas pela Eretz.bio, Terra cita a i9Access, que além de outras tecnologias desenvolveu o VTraining, de simulação realística assistida por vídeo.

Conforme explica Alécio Binotto, um dos sócios da startup, a simulação permite aos alunos praticarem suas habilidades em situações que reproduzem o cotidiano da profissão. “No lugar da interação com pacientes reais, a prática tem auxílio de atores e robôs, com simulações das condições de pacientes, inclusive quanto ao tamanho, peso e fisiologia. Com isso, a prática é fidedigna com a realidade e tem total segurança, inclusive, sem o uso de cadáveres”, afirma.

Segundo Binotto, nos centros de simulação realística alunos adquirem experiência, segurança e habilidade prática para o momento de atender pacientes e realizar práticas complexas. “Ela também é aplicada à educação continuada e diminui o erro em procedimentos médicos”, conta.

Binotto diz que o Vtraining atende alunos de centros de ensino remotos, que interagem simultaneamente pela web. O software é usado por seis instituições, além do Einstein, que foi parceiro no desenvolvimento. “Queremos dobrar esse número até o final do ano e temos prospecções de parcerias com escolas de outros países.”

Série médica traz conteúdo de provas

Uma série sobre quatro residentes de medicina às voltas com seus pacientes, seus desafios pessoais e suas dúvidas sobre diagnósticos e procedimentos clínicos, lançada há dois meses e sem muita propaganda, já conta com 50 mil visualizações. Pode parecer muito pouco, se comparada ao estrondoso sucesso dos oito anos da série House, na qual o infectologista e nefrologista Gregory House se destaca por seus excelentes diagnósticos, seu mal humor e seu distanciamento dos pacientes.

No caso brasileiro, no entanto, a pegada é outra. O seriado é didático e voltado para a revisão de conteúdos fundamentais para a prova de residência. “Em algumas cenas, o aluno pode dar pausa e clicar em um botão na tela para ver a explicação de um professor sobre aquele diagnóstico, tratamento ou decisão tomada pelo médico”, conta Júlio De Angeli, CEO da MedCel, empresa especializada em cursos para a área médica.

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Julio de Angeli. Foto: Felipe Rau/Estadão

O acesso ao conteúdo é gratuito. Cada episódio tem cerca de 30 minutos de duração e a primeira temporada conta com 12 episódios e apresentação de 49 casos clínicos. Desenvolvida ao longo de 18 meses, a produção foi rodada em um hospital de Campinas e custou R$ 3 milhões. O seriado pode ser visitado no endereço www. medcel.com.br/serie. “Muitos vestibulandos assistem ao conteúdo”, diz o executivo.

Segundo De Angeli, cerca de 120 mil estudantes cursam atualmente medicina em uma das 300 universidades no Brasil. “No final do curso, os alunos têm pouco tempo para se preparar”, diz. A decisão de não cobrar pelo acesso está relacionada à estratégia de marketing da empresa. “Queremos que todos vejam o conteúdo. Idealmente, a Medcel acompanhará os médicos durante toda a vida profissional. Queremos ser o destino de escolha para estudantes e médicos quando o assunto se tratar de exames, certificados e treinamentos avançados”, conta o executivo. A empresa oferece diversos cursos pagos que custam entre R$ 3 mil e R$ 13,4 mil.

Para personalizar o processo de ensino, a plataforma adota a tecnologia adaptativa e-learning. “O aluno testa seus conhecimentos em relação às principais áreas cobradas nas provas e pode focar em suas dificuldades. Por ser adaptativa, a ferramenta sugere os conteúdos. Chamamos a metodologia de Persona, por se adequar aos perfis de estudo de cada usuário”, afirma o executivo. O executivo tem intenção de produzir outras temporadas e está traduzindo o conteúdo para o espanhol e o inglês.

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