Anvisa tem 25 pedidos de genéricos de semaglutida e liraglutida; 5 estão em análise ativa.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tornou-se palco de uma disputa estratégica que pode redefinir o mercado de medicamentos para diabetes e obesidade no Brasil. Atualmente, a autarquia registra 25 solicitações de análise para versões genéricas de semaglutida e liraglutida, substâncias presentes em fármacos de alto impacto como Ozempic, Wegovy, Victoza e Saxenda. Informou o Space Money.
Segundo dados oficiais, cinco processos estão em análise técnica ativa, um foi indeferido e dois encontram-se em fase de complementação de informações. Os demais aguardam movimentação ou permanecem em etapas preliminares do trâmite regulatório.
Crescimento da demanda e impacto econômico
O aumento expressivo de pedidos reflete o interesse da indústria farmacêutica nacional em disputar espaço em um mercado bilionário. A procura por análogos de GLP-1 disparou nos últimos anos, impulsionada pelo uso no controle do diabetes tipo 2 e, sobretudo, no tratamento da obesidade.
Hoje, o preço elevado dos medicamentos originais limita o acesso de grande parte da população. A aprovação de genéricos poderia representar um divisor de águas, ampliando a oferta e pressionando os valores para baixo. No entanto, especialistas lembram que o processo regulatório para moléculas complexas é rigoroso e pode levar anos até a liberação definitiva.
Contexto internacional
Nos Estados Unidos, a FDA retirou a semaglutida da lista de medicamentos em escassez em 2025, restringindo a produção de versões manipuladas (compounding). No Brasil, a Anvisa segue um caminho próprio, avaliando individualmente cada solicitação.
Esse cenário coloca o setor farmacêutico nacional em potencial confronto com gigantes globais como Novo Nordisk e Eli Lilly — esta última responsável pelo Mounjaro. A disputa pelo mercado de emagrecedores injetáveis, que movimenta bilhões de reais por ano, promete intensificar-se nos próximos meses.
Perspectivas
A análise dos pedidos pela Anvisa é acompanhada de perto por laboratórios, médicos e pacientes. Caso os genéricos sejam aprovados, o Brasil poderá assistir a uma transformação significativa no acesso a tratamentos de ponta contra diabetes e obesidade.
Enquanto isso, o setor aguarda os próximos passos da agência reguladora, que se tornaram decisivos para o futuro da indústria e para a democratização do acesso a medicamentos de alta complexidade.
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