A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou, nesta segunda-feira (4), a suspensão da publicidade dos medicamentos Olire e Lirux, produzidos pela farmacêutica EMS. As chamadas “canetas emagrecedoras nacionais” vinham sendo divulgadas em campanhas voltadas ao público em geral, prática considerada irregular pela legislação brasileira. Informou a Veja Saúde.
A decisão foi tomada após a constatação de diversas ações promocionais desde o lançamento dos produtos. Um dos episódios ocorreu em dezembro de 2025, quando o programa Pânico na TV, da Jovem Pan, exibiu uma ação de cerca de 12 minutos com a participação da médica e ex-BBB Amanda Meirelles, ao lado da diretora de marketing da EMS, Thais Nania. A iniciativa chamou atenção por desrespeitar normas que restringem a publicidade de medicamentos tarjados.
O que está em jogo
De acordo com a Anvisa, remédios de tarja vermelha ou preta — que exigem prescrição médica — não podem ser anunciados ao público em geral. A divulgação deve ocorrer apenas em meios voltados a profissionais de saúde habilitados a prescrever. A medida busca proteger consumidores de práticas que possam induzir ao uso inadequado de medicamentos.
Os medicamentos
Olire e Lirux são à base de liraglutida, substância que já havia sido comercializada no Brasil pela Novo Nordisk sob os nomes Victoza e Saxenda, até a expiração da patente. A liraglutida pertence à classe dos análogos de GLP-1, anterior à semaglutida — princípio ativo presente em fármacos como Ozempic, Rybelsus e Wegovy.
Apesar de compartilharem o mesmo princípio ativo, os dois medicamentos têm indicações distintas:
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Olire: tratamento da obesidade.
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Lirux: tratamento do diabetes tipo 2.
Ambos só podem ser adquiridos mediante receita médica, como indica a tarja vermelha em suas embalagens. Além das indicações principais, estudos associam a liraglutida a benefícios adicionais, como melhora em marcadores de saúde cardiovascular.
Impacto no mercado
A suspensão da publicidade representa um alerta para a indústria farmacêutica, que busca espaço em um mercado cada vez mais competitivo de medicamentos voltados ao controle de peso e diabetes. A decisão reforça a necessidade de alinhamento às normas regulatórias e à ética na comunicação com o público.
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