O projeto está na fase de Early Discovery, uma etapa focada na seleção dos melhores protótipos e é liderado por cientistas do Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da empresa
Diferente dos tratamentos disponíveis, que atuam principalmente nos sintomas a retirada, a vacina busca estimular o sistema imunológico para que reconheça e capture a nicotina enquanto ela ainda está no fluxo impedindo que ele chegue ao cérebro e produza a sensação prazerosa, isso mantém o vício.
A dependência química é um dos maiores problemas de saúde pública. As drogas alteram a química cerebral, especialmente o chamada sistema de recompensas, aumentando o desejo de consumir mais e em maior quantidades. A síndrome de diminuição e abstinência aparece, acompanhada de um forte desejo consumir para recuperar a sensação de prazer. No caso do tabaco, A dependência química ocorre principalmente devido à ação do Nicotina, uma substância psicoativa que chega ao cérebro alguns segundos depois de inspiração.
"A nicotina ativa os receptores de acetilcolina nicotínica no cérebro, promovendo a liberação de dopamina e ativando o sistema de recompensas, que gera uma sensação rápida de prazer e reforça o consumo compulsivo. Nossa vacina foi projetada para interromper esse ciclo, prevenindo "a nicotina chegar ao cérebro em quantidade suficiente para ativar esse mecanismo", explica o Dr. Ogari Pacheco, fundador, presidente do Conselho de Administração do Laboratório e responsável pela concepção da ideia que deu origem ao projeto.
"O tabaco é um dos piores vícios. Ele mata lentamente, devido a vários doenças graves, como câncer, ataque cardíaco e AVC, e até mesmo uma combinação delas. Mas é muito difícil largar o hábito e ter não recaída. Em certo momento, pensei: o corpo humano tem um sistema imunológico Perfeito. E se descobríssemos uma forma de colocar esse sistema imunológico na trabalha para combater o vício", explica o Dr. Pacheco. Com base nessa ideia, em 2024, foi solicitada internamente a criação de uma plataforma antidrogas, com o objetivo de buscar soluções inovadoras para combater a dependência química e apoiar pacientes na fase de abstinência.
De acordo com estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), o tabaco causa cerca de 8 milhões de mortes por ano no mundo: aproximadamente 7 milhões para consumo direto e 1,3 milhão para exposição passiva à fumaça. Cerca de 85% dos pacientes que tentam parar de depender recaem durante o primeiro ano de tratamento, e dois terços retornam ao substância nas duas primeiras semanas (Fonte: Instituto Nacional de Substâncias Químicas) Abuso de drogas). "É justamente a recaída que a vacina Cristália busca prevenir", explica o fundador e presidente do Conselho de Administração de Cristália.
Como funciona
O Dr. Ogari Pacheco detalha que o tratamento de várias doenças já se beneficia do uso do próprio sistema imunológico do paciente, capaz de reconhecer o que é e produzem anticorpos que capturam e eliminam o organismo invasor. As drogas de abuso também são estranhas ao corpo, mas, devido a suas estrutura química, que passa despercebida pelo sistema imunológico.
A vacina que a Cristália está desenvolvendo resolve esse problema: a molécula — pequena demais para gerar uma resposta imune sozinha — se liga a uma estrutura reconhecida pelo sistema imunológico. Este complexo desencadeia a produção de anticorpos neutralizantes capazes de se ligar especificamente à nicotina na corrente sanguínea.
Na prática, quando o paciente vacinado entra em contato com a substância, os anticorpos a capturam enquanto ainda está no sangue. Dessa forma, a nicotina não consegue alcançar o cérebro e, como não interage com os receptores, não pode ser atingida a acetilcolina nicotínica ou desencadear a liberação de dopamina associada ao prazer, não produz o reforço que alimenta o vício. "É importante notar que a molécula modificada usada na formulação não possui efeitos psicotrópicos", diz o fundador da Cristália.
Os protótipos e antígenos sintéticos da vacina contra a nicotina estão sendo produzidos para fins de pesquisa usando a tecnologia da Cristália. A fase do Ingrediente Farmacêutico Ativo (API) é responsabilidade da Cristália Oncology em Itapira, enquanto o s formulação e embalagem, por ser uma vacina, será realizada em um dos casos as unidades farmacêuticas do laboratório, também localizadas no complexo industrial de Itapira.
Até o momento, a vacina desenvolvida pela Cristália só foi testada em animais. Os antígenos sintéticos produzidos pela fábrica da Farmacêutica têm comprovadamente eficácia na indução da geração de anticorpos específicos e, em um modelo experimental, o candidato a vacina anti-nicotina demonstrou sua capacidade de prevenir o vício em animais. Atualmente, é está conduzindo um estudo para avaliar a resposta.
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