A farmacêutica brasileira Cristália deu um passo decisivo na disputa pelo mercado de medicamentos à base de semaglutida. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a fábrica da parceira chinesa Livzon, localizada na província de Guangdong, para a produção da versão nacional da chamada “caneta emagrecedora”. Informou o Neofeed.
Com a certificação de boas práticas de fabricação de insumos farmacêuticos ativos (IFAs), a expectativa é que o registro da Cristália seja liberado pela Anvisa até agosto. Caso o cronograma se confirme, o produto poderá chegar às farmácias brasileiras já no quarto trimestre de 2026, estampando a marca da farmacêutica nacional, ainda que inicialmente produzido na China.
Estratégia e investimentos
Segundo o vice-presidente da companhia, o pedido de registro foi protocolado no ano passado, aproveitando o edital de análise prioritária da Anvisa. A medida buscava ampliar o acesso e evitar desabastecimento no varejo, após o fim da exclusividade da dinamarquesa Novo Nordisk, dona do Ozempic e do Wegovy, cuja patente expirou em março.
O plano da Cristália prevê transferência de tecnologia para que a produção seja realizada em território brasileiro a partir de 2028, quando será concluída a expansão de seu complexo de biotecnologia em Itapira (SP). O investimento total gira em torno de R$ 450 milhões, sendo R$ 80 milhões destinados especificamente à linha de semaglutida.
Concorrência acirrada
O mercado já observa movimentos agressivos. A EMS, por exemplo, lançou o Ozivy em junho, com preços abaixo de R$ 500 e pacotes de três meses por menos de R$ 300, surpreendendo concorrentes. Outras farmacêuticas, como Àvita Care e Sandoz, também se preparam para entrar na disputa.
A Cristália, por sua vez, revisa sua estratégia de precificação e volume para garantir competitividade.
Com novos players, a previsão é de que o mercado brasileiro de canetas emagrecedoras cresça 50% em 2026, alcançando um volume estimado de R$ 15,6 bilhões. Além da semaglutida, entram na disputa medicamentos à base de liraglutida e tirzepatida, este último com patente válida até 2032.
A corrida pela democratização do acesso a tratamentos contra obesidade e diabetes promete transformar o setor farmacêutico nacional, colocando o Brasil como protagonista na produção e distribuição desses medicamentos inovadores.
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