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A Sandoz anunciou uma nova estratégia de crescimento de longo prazo baseada na expansão de seu portfólio de medicamentos biossimilares. Batizado de Bio100, o plano prevê que a companhia tenha mais de 100 biossimilares em seu portfólio até 2040, ante os 13 produtos disponíveis atualmente.

Apresentada durante o Capital Markets Day da empresa, realizado em 8 de setembro, a estratégia parte da avaliação da Sandoz de que o mercado de biossimilares atravessa uma “década de ouro”, impulsionada pela perda de exclusividade de medicamentos biológicos de referência. A companhia pretende ampliar de aproximadamente 50% para cerca de 80%, a partir de 2035, sua cobertura do valor associado aos medicamentos biológicos que perderão exclusividade.

Os números também dão a dimensão da ambição financeira do projeto. A Sandoz projeta crescimento médio anual das vendas líquidas entre a faixa média e alta de um dígito entre 2025 e 2030, considerando moedas constantes. Para 2030, a expectativa é alcançar uma margem Core EBITDA de 25% a 27%.

No horizonte seguinte, a meta é ainda mais agressiva: mais que dobrar as vendas líquidas entre 2025 e 2035, com margem Core EBITDA superior a 30% ao final do período. A companhia espera que os biossimilares, que atualmente representam cerca de 30% das vendas, passem a responder por aproximadamente 55% da receita em 2035, tornando-se a principal fonte de faturamento da empresa.

 

De 13 para 100 biossimilares

O crescimento projetado será sustentado por uma ampliação progressiva do portfólio. Segundo as projeções apresentadas pela empresa, a Sandoz pretende chegar a aproximadamente 30 biossimilares até 2030 e a cerca de 70 até 2035, antes de superar a marca de 100 em 2040.

A estratégia também prevê investimentos adicionais de aproximadamente US$ 2 bilhões a US$ 2,5 bilhões nos próximos cinco anos, destinados ao desenvolvimento do pipeline, expansão das capacidades produtivas e fortalecimento da infraestrutura necessária para suportar o crescimento.

A companhia avalia que existe uma oportunidade superior a US$ 300 bilhões em vendas de medicamentos biológicos de referência cujas patentes perderão exclusividade ao longo da próxima década. A Sandoz pretende ampliar sua participação nesse mercado combinando desenvolvimento próprio, capacidade industrial e parcerias externas.

A expectativa é que o aumento de escala também contribua para a rentabilidade. Para 2035, além da margem Core EBITDA acima de 30%, a empresa estabeleceu como objetivo um retorno sobre o capital investido (Core ROIC) de pelo menos 20%.

 

Biossimilares ganham peso na estratégia

Para a Sandoz, a expansão dos biossimilares não representa apenas o lançamento de novos produtos, mas uma mudança na composição de seus negócios. A empresa projeta que esses medicamentos passem de cerca de 30% das vendas atuais para 55% em 2035.

A estratégia Bio100 está apoiada em uma rede global de desenvolvimento, fabricação e distribuição, com foco em ampliar a capacidade interna e reduzir a dependência de estruturas terceirizadas à medida que o portfólio cresce.

A companhia também aponta oportunidades adicionais em medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1, utilizados no tratamento do diabetes e da obesidade. Essa frente, no entanto, não está incluída na trajetória central do Bio100. A Sandoz pretende começar por mercados internacionais, como Brasil e Canadá, antes de avançar para Estados Unidos e Europa na década de 2030.

 

Eslovênia ganha papel estratégico

Um dos principais movimentos para sustentar a estratégia será a ampliação da capacidade industrial na Eslovênia. A Sandoz anunciou investimento de aproximadamente US$ 300 milhões em uma nova unidade para produção de substâncias ativas de medicamentos biossimilares em Liubliana.

A nova fábrica utilizará tecnologia descartável de produção em batelada (disposable fed-batch), que complementará as tecnologias de fabricação de alto volume e de produção contínua já empregadas pela companhia. A expectativa é que a unidade acrescente 8 mil litros de capacidade para produção de substâncias ativas biológicas até 2029.

Segundo a empresa, a nova instalação deverá aumentar a flexibilidade da produção e o controle sobre a capacidade industrial, além de fortalecer a rede europeia integrada de desenvolvimento, fabricação e fornecimento de biossimilares. O investimento é apresentado como um dos pilares do Bio100 e faz parte de uma estratégia de ampliar a produção própria à medida que o mercado avance.

Com a expansão das unidades na Eslovênia e de outras capacidades internas, a Sandoz espera obter ganhos de escala, acelerar o desenvolvimento e a fabricação de biossimilares e capturar uma parcela maior do valor da cadeia produtiva. A companhia também prevê que o fortalecimento da infraestrutura industrial seja determinante para sustentar a meta de mais de 100 biossimilares até 2040.

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